quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um desporto fantástico

Falta já menos de um mês para o início da maior liga de basquetebol do mundo, a NBA. As equipas já iniciaram os seus programas de treino na semana passada e, muito em breve, começarão também os jogos de preparação.
Este será, talvez, um dos inícios de época mais esperados de sempre. Depois de um Verão cheio de transferências, com as mudanças de equipa de Lebron James e Chris Bosh para Miami, Amar'e Stoudemire para Nova Iorque, Carlos Boozer para Chicago, e Shaquille O'Neill para Boston, contam-se, com ansiedade, os dias para se chegar à noite em que a bola será lançada ao ar pela primeira vez esta época, e logo com um  Boston Celtics - Miami Heat a abrir.
Por minha parte, já recebi em casa a nova edição do anuário do The Sporting News com todas as análises às equipas, e já se tornou indispensável uma consulta diária aos sites que acompanham as novidades da liga.
Mas como as grandes ligas não se medem, apenas, pela quantidade de pessoas que a acompanham, para grande surpresa minha, e após um contacto com o "front office" da liga, foi-me explicado como contactar os intervenientes do jogo. Assim, nas próximas semanas, vou trazer algumas novidades sobre a NBA, contando com algumas entrevistas e notícias sobre o que vai acontecendo no basquetebol do outro lado do Atlântico.
É, de facto, fantástico!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lourinhanense, o satélite do Sporting

Lourinhanense 96/97
 O Sporting Clube Lourinhanense não é dos clubes com maior historial no futebol português. No entanto, foi na Lourinhã que se juntaram algumas das esperanças do panorama nacional quando  a equipa da pequena vila do Oeste se tornou o clube-satélite do Sporting Clube de Portugal. Corria o ano de 1996.


Perto do final da época de 95/96, começaram a correr rumores de que o Lourinhanense poderia ser o destino de uma série de jovens craques do Sporting. “Era um plantel composto maioritariamente por jogadores com mais de trinta anos”, conta-nos Luís Esteves, o que terá feito com que a generalidade dos jogadores percebesse que teriam que procurar novo clube. “Foi um processo mal gerido”, mas não terá sido essa a razão da descida de divisão nessa época, já que todos mantiveram uma postura “muito profissional”. Luís Esteves, na altura com vinte e três anos, foi um dos poucos jogadores da casa que ficou para jogar entre os craques. “Eu era um jogador que necessitava de trabalhar para limar algumas limitações, nada melhor que fazer isso num projecto que dava prioridade à formação”.

Da parte dos jogadores que faziam parte dos quadros do Sporting, a situação foi aceite com normalidade. Tendo sido comunicada pelos dirigentes,  os jogadores sentiram que “tudo foi feito” para que se sentissem em casa, como confirma Marco Almeida. O treinador Jean Paul era uma figura conhecida para aquele grupo de jovens que, para além do central, reunia jogadores com Bruno Patacas, Luís Boa Morte, Carlos Fernandes, Márcio Santos e, mais tarde, Hélder Rosário, Caneira, Alhandra, Paulo Costa, Nuno Santos e Nuno Assis.

A vila da Lourinhã tornou-se num dos lugares de atracção do nosso futebol. Confidencia-nos Esteves que “havia uma constante presença de jornalistas, quer nos treinos, quer nos jogos”, que também arrastavam muito mais público do que era normal para ver o Lourinhanense. “O ambiente foi sempre muito bom”, reforça Marco Almeida, confirmando que foi um projecto de grande importância para “o clube e para as gentes da Lourinhã”. A verdade é que a equipa conseguiu grandes resultados desportivos. Logo na época de 96/97 assegurou a subida à 2ª Divisão B, perdendo o título da 3ª Divisão apenas no desempate por grandes penalidades com o Dragões Sandinenses. E nas épocas seguintes assegurou lugares cimeiros na Zona Centro, apesar de nunca ter sido exigido à equipa a subida de divisão. Aliás, tal nem seria preciso, pois, como nos confirma o jogador de Torres Vedras, “aquele grupo entrava em campo sempre para ganhar”.

O regresso à Lourinhã, anos depois
O projecto viria a terminar em 1999 com a criação da equipa B do Sporting. No entanto, quer Luís Esteves, quer Marco Almeida, estão de acordo na ideia de que a passagem pelo Lourinhanense foi fundamental para as suas carreiras. Esteves fez-se jogador na Lourinhã, apesar de ter cumprido a formação em Torres Vedras, e adquiriu uma série de conhecimentos e experiências que lhe foram muito valiosas numa carreira que continuou pelas divisões secundárias no Torreense, Fátima e Barreirense, vindo a terminar a sua carreira na Distrital de Lisboa, com a camisola do Ponterrolense. Já Marco Almeida percorreu todas as divisões do futebol português (Sporting, Campomaiorense, Alverca, Maia e Lourosa), para além de experiências internacionais em Inglaterra (Southampton), Espanha (Ciudad Múrcia) e Chipre, onde joga actualmente. O experiente central não esquece os bons momentos que passou na Lourinhã, fazendo questão de lembrar todos os jogadores que conviveram naquele ano e dando também destaque a pessoas como José Canastra, Vítor Damas e João Cardoso pelos ensinamentos que lhe transmitiram.

O balanço não poderia ser mais positivo. Apesar de novas experiências se encontrarem, nos nossos dias, dependentes das condições financeiras dos clubes grandes, a experiência levada a cabo na Lourinhã (e que o Benfica tenta experimentar, noutros moldes, no Fátima, este ano), acabou por dar  resultados,  preparando jovens jogadores para carreiras ao mais alto nível. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Semana europeia para as equipas portuguesas

Estádio Municipal de Braga
A segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus e da Liga Europa realiza-se esta semana e, em Portugal, todos os olhares estarão centrados no Estádio Municipal de Braga, onde o Sporting local se estreará em casa recebendo os ucranianos do Shaktar Donetsk. Esperando que o resultado positivo do fim-de-semana possa animar as hostes bracarenses, o objectivo da equipa de Domingos Paciência é apagar a imagem deixada em Londres, jogando desta vez com uma equipa que está ao seu alcance. O Shaktar está a fazer um campeonato quase perfeito, na Ucrânia, e venceu o Partizan na primeira jornada da Liga, o que não facilitará em nada os objectivos da equipa portuguesa.
Na quarta-feira, será a vez do Benfica se deslocar a Gelsenkirchen, cidade que tem dado sorte às equipas portuguesas. O Schalke ainda só venceu um jogo oficial esta época, demonstrando que a contratação de estrelas não constrói, só por si, uma grande equipa. Ainda assim, a qualquer momento, os alemães conseguirão encontrar o caminho para as vitórias, sendo a vontade dos benfiquistas adiar esse momento por mais uns dias. Jorge Jesus está, agora, mais confortável com o novo plantel, tendo encontrado uma forma de conjugar os jogadores de que dispõe num sistema táctico que expõe menos as fraquezas do seu conjunto. Acertar, mais uma vez, na vitória, é o seu objectivo para esta semana.
Quinta-feira, entra em campo a Liga Europa, com o FC Porto a entrar em campo ao final da tarde para enfrentar o CSKA Sófia, sendo de esperar mais uma vitória neste fulgurante início de época da equipa de André Villas Boas. Ainda que seja aceitável pensar que o jovem treinador portista aproveitará este jogo para rodar alguns elementos com menos utilização, não é esperado que esse facto enfraqueça o potencial dos azuis e brancos. À noite, será a vez do Sporting entrar em campo para receber uma das outras equipas de Sófia, o Levski. Presume-se, neste momento, que Paulo Sérgio não se sinta à vontade para fazer mais uma revolução na equipa, como fez em Lille. Assim, o Sporting entrará em Alvalade com o desconforto de ter pela frente uma massa associativa impaciente e sem qualquer razão para aceitar mais uma má exibição dos leões. A grande questão será perceber se Liedson perdeu mesmo a titularidade e se Diogo Salomão conseguiu convencer o treinador a dar-lhe o lugar de um pouco inspirado Yannick Djaló. Pelas opções iniciais se adivinhará um pouco do que poderá acontecer ao conjunto verde e branco.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fim-de-semana com golos e surpresas

Campomaiorense em alta
Fim-de-semana cheio de golos e algumas surpresas em diversos campos do futebol distrital.
O nosso destaque vai todo para o Campomaiorense que, na Distrital de Portalegre, continua a vencer e a convencer, desta vez numa deslocação ao campo do Portalegrense, vencendo por sete golos a zero. Em apenas quatro jogos, a última equipa alentejana a ter disputado o Nacional maior do nosso futebol marcou vinte e seis golos, apresentando-se como principal candidato a regressar aos nacionais.
Na Distrital de Lisboa foi o Futebol Benfica a merecer nota de destaque. Com um hat-trick de Pina, ex-jogador da equipa adversária, o popular "Fófó" arrasou o Cacém (6-1), vingando-se assim da derrota sofrida na jornada de estreia.
Quem começou da melhor maneira a sua época foi o Barreirense. Recebendo em casa os rivais de Almada, o histórico do Barreiro não deixou os seus créditos em mãos alheias e marcou seis golos sem resposta. Vasco Campos foi responsável por metade dessa produção. Fica água na boca de todos os seguidores desta equipa, depois de um ano de grande sofrimento e sem brilho na principal divisão distrital de Setúbal.
Não terminamos esta visita às disputas do futebol distrital sem dar nota da Supertaça de Futsal feminino disputada entre a Quinta dos Lombos e o SL Benfica. Apesar das benfiquistas beneficiarem de toda a atenção mediática e de contarem com a experiência de disputar, anualmente, uma competição com equipas de todo o mundo, foi a agremiação de Carcavelos a levar o troféu para casa, ganhando por 2-1. As imagens do jogo estão disponíveis no blogue da equipa. Vejam-nas ali, pois algo me diz que não vão ser repetidas durante  toda a semana na Benfica TV.

A nobreza do lesionado


Se coisa houve que fez Brian Kirkpatrick vibrar alguma vez na vida foi o golo que Steve Sumner marcou aos 54 minutos do jogo Nova Zelândia - Escócia, que se disputou no Estádio La Rosaleda, em Málaga, no dia 15 de Junho de 1982. Era o Campeonato do Mundo de Futebol. Brian tinha pouco mais de dez anos e assistia pela primeira vez a um jogo. Talvez fosse mesmo a primeira vez que um jogo fosse transmitido na televisão neo-zelandesa, que naquele ano fazia a sua primeira transmissão de mundiais de futebol. Aquele golo, que de pouco serviria para mudar o resultado que naquela altura já dava a vantagem aos escoceses por três a zero, mudou, no entanto, a vida deste miúdo.
Oriundo de uma família ligada desde os tempos mais imemoriais ao Râguebi, Brian cumpria, aos dez anos, a tradição de todos os jovens da família, percorrendo os campos agrícolas da família nos arredores de Gisborne com uma bola de râguebi nos braços. Daquela família já saíra um dos grandes nomes dos All-Blacks, a famosa equipa nacional, na pessoa do seu tio Ian Kirkpatrick, e agora que este terminara a sua carreira, esperava-se que um dos pequenos tomasse o seu lugar como motivo de orgulho da família. Era para esse objectivo que todos os pequenos eram  incentivados.
No entanto, a vida de Brian Kirkpatrick fora abalada pelo Mundial de 1982. Depois da improvável qualificação, a Nova Zelândia não podia ter encontrado um grupo melhor.  A Escócia de Dalglish, a União Soviética de Blokhin e o melhor Brasil de sempre. Para Brian, antes do Mundial, isto era nada, depois do Mundial, seria tudo. Tomado pela emoção de ver Sumner meter-se entre o defesa e o guardião escocês, antecipando-se a ambos para marcar o primeiro golo da história da equipa neo-zelandesa em Campeonatos do Mundo, logo no dia seguinte Brian procurou um lugar para jogar futebol.
Brian alistou-se no Gisborne Rookies, a equipa de formação da sua cidade. Era um pequeno prodígio do futebol, cheio de força de vontade e sonho, um predestinado. O treinador da equipa gabava-lhe o talento e agradecia aos deuses pela sorte de naquela terra seca de talento para o controlo do esférico poder aparecer um rapaz assim. No entanto, a vida de Brian não era facilitada em casa. Magoado no seu orgulho de herdeiro da história do Râguebi, o seu pai tudo fazia para que Brian abandonasse a tola ideia de se tornar um grande jogador na Europa ou no Brasil.
Quanto maior era o burburinho entre os adeptos do Gisborne Rookies, maiores eram as cargas de trabalho de Brian Kirkpatrick nos terrenos da família. Aos dezasseis anos, Brian estudava durante a manhã no liceu local, trabalhava durante a tarde com a família, e só ao início da noite treinava as suas capacidades futebolísticas. O treinador parecia cada vez mais preocupado com o facto de Brian andar sempre muito cansado, notava que isso lhe perturbava os movimentos que eram tão apreciados por todos, mas a carga de trabalho parecia não diminuir. Ainda para mais agora que dois dos seus primos tinham ido para Auckland estudar e treinar junto das selecções jovens de Râguebi.
O pai de Brian, desde sempre insatisfeito com o facto do seu filho mais velho se ter entregue a esse desporto de rufias que perseguem a bola a pontapé, insistia para que este fosse responsável por carregar mais cestos, por subir a mais árvores, por perseguir todo e qualquer animal que pulasse a cerca. O pai de Brian queria que este ficasse cansado ao ponto de deixar o futebol. Brian insistia no seu sonho e lá lutava, todos os dias, para continuar a ser o craque dos Gisborne Rookies, esperando ser notado e convidado para jogar em alguma das melhores equipas da Nova Zelândia ou da Austrália, primeiro passo seguro para o que ele desejava ser uma grande carreira.
Estava Brian Kirkpatrick acabado de fazer dezoito anos quando um emissário de uma equipa inglesa se deslocou a Gisborne para o ver jogar. A sua fama atravessava fronteiras desde que tinha jogado pela equipa nacional de sub-17 e sentia agora que estava mais perto de concretizar o que esperava para a sua vida. No entanto, um dia antes desse jogo que poderia ser decisivo para a sua carreira, Brian escorregou do cimo de uma árvore onde colhia frutas e fracturou a tíbia. Parecia uma queda pequena, normal, mas ao colocar todo o peso do seu corpo sobre a perna direita, Brian sentiu o osso quebrar e o músculo rasgar-se provocando uma dor intensa.
Brian Kirkpatrick ficou para sempre em Gisborne, trabalhador das fazendas da família onde hoje assume a responsabilidade de organizar o trabalho das dezenas de homens e mulheres. A sua carreira futebolística acabou na véspera de se ter tornado grande, com uma operação à tíbia. Seis meses depois Brian ainda tentou regressar aos treinos, mas as dores de uma consolidação difícil do osso impediam-lhe as fintas e o controlo de bola a que tinha habituado todos. Brian é hoje um homem triste. O seu pai, orgulhoso da fama dos sobrinhos que jogam râguebi, não se cansa de lembrar a nobreza do filho, Brian Kirkpatrick. Não há nada mais nobre que abandonar o desporto devido a uma lesão, costuma dizer. Os que o conhecem bem não deixam de notar um leve levantar do lado esquerdo do lábio que só pode ser de satisfação. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Grandes encontros de domingo

Jogo no Estádio Conde Dias Garcia
Este fim-de-semana, enquanto as atenções do mundo futebolístico estarão em Manchester, onde o City recebe o Chelsea, mas por Portugal inteiro, outros jogos chamarão a atenção de muita gente.
O grande dérbi deste domingo será disputado no Estádio Conde Dias Garcia, onde o Sanjoanense irá receber o Ovarense, em jogo a contar para a 1ª Divisão Distrital de Aveiro. Ambas as duas equipas têm uma longa história no futebol português, com participações nos principais campeonatos, encontrando-se agora a nível distrital. A equipa da casa reforçou-se bastante este ano, entre os seus principais rivais, e conta com vitórias nos dois primeiros jogos do campeonato. Já o Ovarense aposta na formação e, tendo perdido o primeiro jogo fora, no campo do Cucujães (outra das equipas deste campeonato que já participou nos Nacionais), ganhou um jogo em casa e apostará agora na surpresa.
Mais a Norte, em jogo a contar para a Série B da 3ª Divisão Nacional, o Amarante recebe o Famalicão. O Amarante (por onde passou um jogador chamado Petróleo, há muitos anos, de quem eu espero voltar a falar aqui um dia) tem vários jogadores emprestados pelo Vitória de Guimarães, o que não o impediu de perder em Serzedelo na primeira jornada. Recebendo o Famalicão, que vem de uma vitória, tem a responsabilidade de mostrar que, em sua casa, são os seus jovens quem manda. Debaixo de olho estará o encontro de Claro, avançado dos júniores do FC Porto na época passada, e Cláudio, guardião do Amarante, ex-júniores do Vitória. Será uma reedição de um encontro do principal campeonato de formação do ano passado, agora na Terceirona.
Na Liga Orangina, os adeptos do Belenenses terão mais uma oportunidade para vencer um encontro do campeonato. Encontram-se com outro campeão dos empates, o Arouca, no Estádio do Restelo. Da mesma forma que os de Arouca estão contentes por ainda não terem perdido, em Belém contam-se os dias para a chegada da primeira vitória. Será um jogo de nervos, ideal para que cada uma das equipas possa sair com confiança em alta. A não ser, talvez, que ambas insistam na continuação da senda dos empates. Nesse caso, acredito, não sobrarão unhas para roer entre os seus adeptos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Maratona ATV55

No domingo passado, Torres Vedras foi ponto de encontro de mais quinhentos bttistas, para participar na 5ª edição da Maratona ATV55. Trata-se de uma organização do ATV - Académico de Torres Vedras, com o apoio de muitos dos seus associados e de várias empresas que possibilitam que tudo corra pelo melhor.
A prova dividiu-se em três categorias, com percursos de 15km, 30km e 60km, o que possibilitou a participação de muitos apaixonados das bicicletas, com maior ou menor preparação e resistência. Para os curiosos que foram surpreendidos com os malucos das bicicletas a sair da Expotorres, a grande surpresa foi poder encontrar algumas caras conhecidas do ciclismo nacional entre os participantes da prova. Vítor Gamito foi o vencedor da prova dos 60 km onde também participaram Hélder Miranda, Nuno Marta e Marco Chagas.
Para quem não aproveitou a oportunidade de ver este espectáculo em duas rodas, pode encontrar aqui uma extensa reportagem fotográfica do evento.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um madeirense chamado Steve

Operário dos Açores
Na segunda eliminatória da Taça de Portugal encontramos alguns tomba gigantes pequeninos, três equipas da 2ª Divisão que derrotaram equipas da Liga Orangina.
Talvez a maior surpresa tenha acontecido no Campo João Gualberto Arruda, em Lagoa, nos Açores. O Operário local confirmou o excelente início de época com uma vitória sobre um Penafiel aparentemente pouco motivado para uma jornada de Taça. A equipa caseira, sob o comando do saudoso Agatão (lembrado pelas épocas em que corria os relvados nacionais com a camisola do Salgueiros e do Boavista), marcou o golo da vitória logo aos 24 minutos, por intermédio de Fabrício, um brasileiro que deverá ficar para sempre na história deste simpático clube açoriano.
Outra surpresa estava reservada para Touriz, terra local do Tourizense que até já anunciou, este ano, a possível desistência das competições, dado a casos com arbitragens. No entanto, os jogadores do clube da casa não estiveram com meias medidas na recepção ao Freamunde de Nicolau Vaqueiro (avé, Vaqueiro, grande mito das divisões secundárias). O Freamunde até dominou grande parte do encontro, mas foi Diarra quem ficou na história do encontro, marcando o golo da vitória do Tourizense. Diarra é um jovem burquinês que tem lutado para encontrar lugar no futebol nacional, embora sem grande sucesso até este fim-de-semana. Em Touriz por empréstimo do Paços de Ferreira, Diarra já conseguiu a sua pequena glória na Taça de Portugal.
Entretanto, noutra ilha da República Portuguesa, a Madeira, um dos jogos destacados na nossa antevisão deu  surpresa: o União venceu o Trofense. Os azuis e amarelos estão decididos a provar que têm valor para subir aos campeonatos profissionais e aproveitaram a Taça para demonstrar isso mesmo. O União marcou primeiro, mas um golo do Trofense perto do final levou o jogo para prolongamento, onde Steve acabou por entregar a eliminatória à equipa da casa. Steve é mesmo o nosso eleito como destaque da 2ª eliminatória da Taça de Portugal. Aos 108 minutos, este madeirense formado no Câmara de Lobos e a cumprir a sexta temporada no União, marcou um golo que o coloca em destaque no início desta época que se espera de sucesso. José Sidónio Freitas, conhecido no mundo da bola como Steve, tem 25 anos e o desejo de repetir a graça na próxima eliminatória, onde, o desejo de todos os clubes será, como é costume, encontrar um grande.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Escolher o caminho


São raros os casos, mas acontece algumas vezes que um excelente jogador de futebol seja um homem que não goste de jogar futebol. Nessas ocasiões, as bancadas de todos os estádios do mundo vertem lágrimas de tristeza e incompreensão pela existência de pessoas assim. É sempre um dia triste quando temos que reconhecer a sua existência. Homens a quem foi dado um dom que, a nossos olhos, surge desaproveitado. Mas esses homens escolhem os seus caminhos e Tiago Neto escolheu o seu.
Tiago Neto começou a jogar, bastante jovem, no Grupo Desportivo Serra da Vila. É um daqueles clubes que nem nos distritais se encontram. Disputam torneios amigáveis durante o ano, nas aldeias vizinhas, e pouco mais. Tiago começou por lá e logo deu nas vistas num torneio disputado na cidade de Torres Vedras. Daí a passar para a equipa de Juvenis do União Torreense foi um saltinho. Tiago saltou e lá estava. Um pé esquerdo com um remate de canhão num corpo maciço pleno de força.
Mas Tiago sempre preferiu outras coisas. Andar atrás das miúdas do Liceu, por exemplo. Ele frequentava a Escola Técnica mas nada lhe dava mais gozo do que ficar ali pela Rua da Escola a ver as meninas que saíam do Liceu. Elogiava-lhes as saias, metia conversa. Não era muito dotado para as meninas mais exigentes e estudiosas. Mas várias delas lá lhe iam deixando escapar um olhar, garantia mais do que suficiente para uma dança no próximo baile da associação.
A sua fama de jogador, entretanto, crescia. Já toda a cidade sabia que nos Juvenis, e mais tarde, nos Juniores do  União Torreense, havia craque. Os resultados das equipas iam confirmando o boato, já que conseguiam ir longe nos campeonatos nacionais de cada categoria, primeiro, nos juvenis, só sendo eliminado pelo Benfica, e no ano seguinte, no Nacional de Juniores, ficando pelo caminho nas mãos do Sporting, os grandes de Lisboa, imbatíveis naqueles idos de 70.
A escola pouco dizia a Tiago. Limitava-se a cumprir com o básico para ir passando de ano. Estudar, não estudava. Tinha o irritante hábito, sobretudo para a sua mãe, uma católica de missa diária, de ir pedir à Nossa Senhora da Pena para o ajudar em vésperas de testes escolares. A verdade é que isso ia resultando, portanto, entre os livros e a caminhada trimestral ao Alto da Pena, ganhava a caminhada. Para desportista, custava bem menos.
Os anos passaram, e depois do tirocínio habitual dos rapazes saídos das camadas jovens, com empréstimos a clubes de divisões inferiores (a saber: Grupo Desportivo Sobreirense e Grupo Desportivo de Runa na Distrital de Lisboa, Sport Clube Escolar Bombarralense, na Terceira Divisão Nacional), conjugados com várias aparições no Campeonato de Reservas, Tiago teve finalmente lugar oficial no plantel do Sport Clube União Torreense, na época de 1977/78. Nesse ano, o União Torreense conseguiu subir de divisão, Tiago Neto foi utilizado numa dezena de jogos, mas aquele que prometia ser um grande jogador, era agora uma sombra infeliz daquilo que parecia querer o seu pé esquerdo quando a bola lhe chegava perto.
Na vida de Tiago tinham acontecido várias coisas. Um emprego das nove às cinco como vendedor imobiliário, um casamento, as viagens com os amigos para ver o Sporting nas competições europeias, os almoços de família, a organização das festas da sua terra, a participação em alguns desses torneios que se disputam pelas aldeias, com a camisola amarela e o calção preto do Grupo Desportivo  Serra da Vila. Tiago Neto gostava de estar entre os amigos, era só isso que ele queria. E quando começou a nova época, no regresso do União Torreense à Segunda Divisão Nacional Portuguesa, Tiago já havia decidido que não queria ser jogador de futebol. Só ainda não descobrira como transmitir isso à Direcção e ao Treinador da equipa.
Nesse ano de 79, Tiago ia ser pai pela primeira vez. E já lhe sobrava cabeça para pouca coisa senão a ideia de ter essa criança nos braços. Cada vez era mais utilizado, a maior parte das vezes como suplente, até marcara alguns golos no campeonato. Mas Tiago Neto não gostava de jogar futebol e ia ter um filho. O que poderia ser mais importante? No dia 24 de Fevereiro de 1979, o União Torreense recebia em casa o Caldas Sport Clube, para mais um derby do Oeste português. Tiago Neto foi chamado para ser titular, mesmo sabendo que a sua mulher já estava em trabalho de parto no Hospital Distrital de Torres Vedras.
Devem ter sido os piores quarenta e cinco minutos da carreira da grande promessa Tiago Neto. E quando faltavam menos de cinco minutos para o intervalo, Tiago Neto avistara a sua sogra atrás da baliza do Caldas Sport Clube, na entrada sul do Estádio Manuel Marques, o que só podia querer dizer uma coisa. O seu filho tinha nascido. Nem foi preciso o treinador dizer que Tiago ia ser substituído. Mal o árbitro apitou para o final da primeira parte, Tiago correu aos balneários, vestiu o fato de treino por cima do equipamento e correu para o Hospital. Ia ter finalmente o seu filho nos braços.
O seu filho que nunca seria um jogador de futebol mais do que medíocre. Mas que manteve esse desejo para toda a vida. Acontece muitas vezes, encontrarmos homens que adorariam saber jogar futebol, mas não sabem. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O valor de uma equipa

O valor de uma equipa é visível na sua capacidade para se adaptar à realidade de cada jogo, e no encontro de ontem entre Benfica e Sporting, percebeu-se porque é que o Benfica tem uma equipa bem mais valiosa do que aquilo que o Sporting pensa que tem.
Durante todo o jogo foi notório um índice físico superior, entre os jogadores da equipa encarnada, que ganharam, sistematicamente, os duelos corpo a corpo e as disputas de bola em velocidade. Para além disso, todo o jogo do Benfica decorre com uma maior rapidez do que a do seu adversário, fazendo com que uma defesa à zona se transformasse em pressão sobre o jogador que tinha a bola, tal era a demora em tomar uma decisão. Também é de ter em conta a versatilidade de movimentos entre os jogadores ofensivos do Benfica, com Aimar, Cardoso, Coentrão e Saviola a abrir constantes linhas de passe em evolução no terreno, perante um Sporting onde todos pareciam ter colocações fixas, sem que houvesse trocas nem tentativas de ruptura. O único jogador do Sporting que tinha ordem para se mexer era Yannick, mas correspondendo sempre aos passes com perdas de bola, essa ordem apenas serviu para evidenciar a sua falta de qualidade técnica em possessão.
No entanto, a principal razão da vitória benfiquista tem que ver com a identidade da equipa. O Benfica, muito diferente do da época anterior, não tem qualquer pejo em colocar Coentrão no meio-campo, onde sobressai menos mas é mais útil à equipa, como também não tem receio de reforçar os sectores defensivos (com a entrada de Amorim e Airton) na tentativa de manter o jogo controlado. No caso do Sporting, o descontrolo táctico é muito evidente. Paulo Sérgio não sabe o que querer da equipa, alterando constantemente esquemas que parecem nunca resultar, em boa parte por escolher mal os jogadores para cada posição. Maniche não tem vigor físico para ser a peça principal da pressão no meio, Valdés não tem a velocidade necessária para jogar na linha, Matías parece perdido sempre que tem pela frente alguém que o marca em cima. Não ver Zapater, Vukcevic e Salomão terem mais minutos, será algo que será uma das piores recordações da passagem de Paulo Sérgio por Alvalade que, a ver pelo caminho que a equipa está a levar, não deverá ser longa.
Última palavra para Óscar Cardoso. Só precisou de um bocadinho de espaço para renascer das cinzas. O espaço que nunca teve no Mundial nem nos primeiros jogos da temporada, apareceu ontem, e Cardoso, como seria de esperar, marcou dois golos e criou mais duas ou três oportunidades. Quantos mais adversários acreditarem que um jogador com as suas características tem fases más, mais golos Cardoso marcará. Não se pode confiar, nunca, num oportunista. E, se não tivesse sido por todas as restantes razões, essa teria bastado para que o Benfica fosse um justo vencedor.

sábado, 18 de setembro de 2010

Ir à Luz

Em véspera de Benfica-Sporting, relembro a minha ida à Luz, corria a época de 1999/2000. No dia 26 de Janeiro, fui de manhã para a faculdade e, ao chegar de autocarro ao Campo Grande, deparei-me com as filas para comprar bilhetes em Alvalade. Deve ter-se acendido uma luzinha dentro da minha cabeça, pois tomei uma das mais felizes opções da minha vida, no género "ir ao estádios", sub-género "ir à Luz".
Foi um jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, e o Sporting vivia uma época de alguma euforia, com a chegada de César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza para reforçar a sua equipa. Então, valia bem a pena a viagem a território "inimigo". Logo à entrada, confusão na revista aos adeptos do Sporting e o começo do aguaceiro que haveria de acompanhar todo o jogo.
Fiquei sentado na Bancada Norte, com o meu pai e o meu irmão. Eram os tempos do velhinho Estádio da Luz, repleto de adeptos ansiosos por um bom resultado entre duas equipas que, já há algum tempo, nada ganhavam. O jogo não podia ter começado melhor, com um golo de Beto Acosta aos 11m. Canto da esquerda e Acosta de cabeça ao primeiro poste. Explodiu de entusiasmo a bancada sportinguista, a sentir que aguentar aquela chuva toda que caía na capital valeria a pena. Ainda assim, aos 33 minutos, Uribe, de livre, fez o empate para os benfiquistas. O Sporting continuou a atacar e depois de um lance confuso na área, André Cruz desvia à boca da baliza para o 1-2. Estava cada mais lindo o quadro daquela noite molhada de Janeiro.
Na segunda parte, apesar da reacção dos encarnados, foi o Sporting que voltou a marcar. Acosta corre para a área com Machairidis e é derrubado por este. Penalti para o argentino cobrar ao seu estilo de matador, 1-3, já ninguém ficava sentado na Bancada Sul, tal era a festa, tal era a sensação de promessa de felicidade nesse mesmo ano, quando o Sporting quebrou o jejum de títulos nacionais.

Para a história deste jogo, ficam as formações iniciais de Benfica e Sporting:
Benfica: Enke - Andrade, Paulo Madeira, Machairidis, Rojas - Chano, Calado, Kandaurov, Uribe - João Pinto, Nuno Gomes. Suplente utilizado: Bruno Basto.
Sporting: Schmeichel - César Prates, André Cruz, Beto, Rui Jorge - Vidigal, Delfim - Pedro Barbosa, Mpenza, De Francheschi - Acosta. Suplentes utilizados: Quiroga, Toñito e Fumo.


(Fontes: aqui e aqui)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Taça é Taça!

Boavista de São Mateus

Regressa a Taça, desta vez a Segunda eliminatória, já com equipas da Liga Orangina. Assim, o destaque da eliminatória é o Estoril - Sporting da Covilhã, confronto que deixará pelo caminho uma das equipas profissionais logo ao primeiro desafio. As duas equipas encontraram-se domingo passado, em encontro a contar para a Liga. Nesse jogo, o Estoril dominou com uma vitória por 3-1. Assim, espera-se que o jogo da Taça possa servir para que o Covilhã tente mostrar novos argumentos contra a equipa da Linha.
Outro desafio a receber as nossas atenções é o União da Madeira - Trofense. O União tem sido das equipas da 2ª Divisão a apostar mais fortemente na subida, embora esse objectivo tenha vindo a ficar, nos últimos anos, sempre por cumprir, incluindo uma luta na liguilha de subida do ano passado. Assim, nesta eliminatória da Taça, terá oportunidade de medir forças com o Trofense, equipa que disputa a Liga Orangina. A expectativa será a de ver o União a tentar derrubar um adversário de nível superior, ganhando assim confiança para cumprir, este ano, o objectivo da subida.
Um outro jogo a ter em atenção disputar-se-á no Campo do Bom Jesus, na Ilha do Pico. O Boavista de São Mateus receberá a equipa madeirense do Pontassolense. Grande jogo entre equipas das ilhas, com clara vantagem para o Pontassolense, de uma divisão superior e com um plantel cheio de jogadores formados na ilha da Madeira, com destaque do Pedro Pita, que chegou a jogar na Primeira Liga pelo Nacional. O Boavista de São Mateus foi a equipa que mais golos sofreu na primeira jornada da 3ª Divisão - série Açores, mas quererá confirmar a surpresa que representou ter eliminado o Aljustrelense na Primeira eliminatória.
De Norte a Sul, nas Ilhas, Taça é Taça!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fantasy Champions League

A primeira jornada da Fantasy Champions League delineou, desde logo, grandes diferenças entre as equipas participantes. O vencedor da semana é a equipa orientada por Tom Sawyer, AC Descalços, com 93 pontos. A uma grande distância aparece o Ordasqueira FC de Marco Vicente com 72 pontos e o Íbis Portugal de Luís Cristóvão com 68 pontos. A pequenas distâncias do pódio surgem as equipas de Paulo Ferreira (65), João Cristóvão e Alexandre Cardana (62), sendo que a classificação se fecha com o último classificado, Sá Leão Team, treinada por Canas, com apenas 35 pontos.
Na Liga Europa, inicia-se hoje a competição, com apenas três equipas inscritas. Quem quiser participar, pode-se inscrever com o código 11151-1639. 

O outro futebol

A época de Futebol Americano começou há duas semanas, com o início dos campeonatos universitários americanos. Para milhares de pessoas em todos os Estados Unidos, iniciou-se assim o ritual semanal de ir aos estádios ver um dos desportos mais fantásticos do mundo, onde força, velocidade e inteligência concorrem, interligados, para a obtenção da vitória em cada jogada. Apesar de, à primeira aproximação, este possa parecer um jogo bastante confuso, procurando na internet uma explicação básica das regras e seguindo um dos jogos universitários, pode-se começar a ter uma ideia de como funciona o jogo.
Para além disso, a curiosidade de contarmos com um luso-descendente nesta liga. Jamie Silva, descendente de portugueses dos Açores, continua a jogar nos Indianapolis Colts, apesar de não ter sido utilizado na primeira jornada do campeonato.
Os jogos universitários passam na ESPN America, disponível nos serviços Meo e Zon, sendo que a Liga Profissional, tem, para além da cobertura nesse canal, uma transmissão semanal na Sport tv. Ou seja, oportunidades para seguir o jogo não faltam.
Para quem preferir seguir as emoções deste desporto ao vivo, o melhor será esperar por Novembro, altura em que começará a segunda edição da Liga Portuguesa de Futebol Americano. Os campeões em título, a equipa dos Lisboa Navigators, podem ser visitados aqui.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Históricos na Divisão de Honra da A.F.Porto

Momento do jogo Salgueiros - Pedrouços

Regresso do Campeonato da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto com o Salgueiros a fazer uma falsa partida no seu caminho de regresso às competições nacionais. Desde o seu regresso, sob o nome de Salgueiros 08, esta equipa tem sido o adversário contra quem todos pretendem brilhar, seja pela história do seu nome, seja pela quantidade de adeptos que seguem este popular clube do Porto, como se pode perceber pela sua página.
O jogo contra o Pedrouços disputou-se no Estádio Municipal da Lavandeira, em Gaia, e apesar do domínio da equipa da casa, o resultado terminou empatado a um golo. Na equipa do Salgueiros é de destacar a presença de Albertino, um histórico do futebol português, com passagens pelo Salgueiros (ainda na Primeira), Académica e Marítimo, e o quarentão Lobo, que foi o marcador do golo da equipa da casa.
Na Divisão de Honra do Porto, este ano, serão todos contra o Salgueiros, havendo que destacar outros clubes bem conhecidos de todos, como o Infesta, o Lixa e o Académico de Felgueiras, equipa renascida a partir das cinzas do F.C.Felgueiras, que disputa os jogos em casa no velhinho Estádio Dr. Machado de Matos, onde já se disputaram jogos da divisão maior e agora brilha, entre as suas bancadas, um fantástico pelado(!!).
Um campeonato a seguir, nos próximos meses.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lição de Andebol - Entrevista a Paulo Jorge Pereira

Paulo Jorge Pereira

Paulo Jorge Pereira é um nome bem conhecido de todos os que seguem o Andebol português. Foi treinador do CPN, do FC Porto (onde conquistou vários títulos nacionais), do CB Cangas (Espanha) e trabalha actualmente com a equipa feminina do 1º de Agosto de Luanda, tendo também estado com a equipa nacional angolana no Mundial Feminino disputado na China em 2009. 


Enquanto prepara a sua equipa para o campeonato que se irá iniciar em breve, Paulo Jorge Pereira deu-nos uma "lição de Andebol".


- Paulo, a formação de jogadores é uma das preocupações que tem ocupado a tua carreira, para além de ter sido nos escalões mais jovens que começaste o teu percurso. O que é essencial, num jovem praticante, para que venha a ter futuro na modalidade?

É sempre difícil responder a essa pergunta, no entanto, devemos atender sobretudo aos factores perceptivos que condicionam as tomadas de decisão em jogo. Em idades precoces esse jogo pode não ser jogo formal mas um simples jogo de passe que permita desde logo perceber a intencionalidade nas acções dos jogadores. Podemos mesmo quantificar acções positivas e negativas de acordo com os objectivos formulados para esses jogos. Os factores associados à tomada de decisão são fortemente condicionados por condições genéticas embora sejam melhoráveis com o treino. Os factores físicos (antropométricos e funcionais - coordenativos) e psicológicos não são menos importantes, pois permitem produzir uma previsão (sempre com uma margem de erro possível) sobretudo a longo prazo do possível talento desportivo.

- Os clubes portugueses oferecem condições para que essa evolução seja feita ao nível dos outros países da Europa? E o quadro competitivo português?

A minha sensação é que em Portugal se trabalha bem na formação. Não podemos esquecer que existem clubes que trabalham com muita eficácia na formação de novos atletas e a prova disso está na última participação da selecção no Europeu sub-20 chegando à final com a Dinamarca. Quanto às condições que temos por comparação com outros países, devemos evitar de pensar no “coitadismo” e centrar a actividade no essencial. Desde que existam atletas predispostos para aprender só temos a obrigação de construir o caminho mais eficaz com a escolha pensada dos exercícios mais eficazes. O quadro competitivo, ao ter sido afectado pela crise, abriu mais possibilidades a jovens atletas dada a impossibilidade da aquisição de atletas estrangeiros de qualidade por parte dos clubes. Este factor acabou por favorecer o aparecimento de novos atletas. 

- Depois de uma brilhante geração nos anos 90, que chamou muita atenção mediática para o Andebol, agora voltamos a ter um conjunto de jogadores capazes de disputar um título europeu, com a selecção de Sub-20. Quais são os pontos de contacto entre uma e outra geração? É consequência de um trabalho específico dos clubes, ou estamos condenados a esperar ter a sorte de, de tantos em tantos anos, conseguirmos juntar um grupo de Elite?

Não podemos esquecer que Portugal tem uma base de recrutamento reduzida quando comparada com outros países Europeus (por razões estruturais e mesmo culturais) e por vezes não significa que se trabalhe melhor ou pior. Foi para mim gratificante trabalhar com uma boa parte dessa geração de 90 que refere. A geração actual tem também muita qualidade e apresenta competências que nos permite pensar que estamos no bom caminho outra vez. Que devemos por vezes ter a paciência de esperar melhores dias, isso faz parte da sociedade Portuguesa neste e noutros âmbitos. Não podemos é nunca desistir, e isso foi o que fizeram muitos clubes e treinadores este tempo todo.

- Para além de Portugal, trabalhaste ainda em Espanha e agora em Angola. Quais são as diferenças fundamentais entre os três países, no que ao Andebol diz respeito?

Existem diferenças sobretudo estruturais. Embora neste momento Espanha também se debata com uma crise profunda à qual o andebol não escapa, devo referir que quando saí para o Clube Balonmano Cangas (2ª divisão), tinha por jogo em média cerca de 1500 pessoas a assistir. Isto já é um sinal de investimento e interesse pela modalidade que Portugal perdeu nos últimos anos, fundamentalmente provocado pela luta que parecia não ter fim entre a Federação de Andebol de Portugal e a Liga de Clubes. Angola é um país onde o andebol, sobretudo na versão feminina, ocupa um espaço privilegiado. Tive o prazer de participar no Campeonato do Mundo na China (2009) e em Fevereiro último ganhamos o deca-campeonato Africano disputado no Egipto com a presença na final de cerca de 7000 espectadores. Em Angola faltam muitas coisas ao nível organizativo, mas dada a localização geográfica que nos afasta da possibilidade de competir a nível elevado mais vezes e outros factores, devemos mesmo considerar um milagre poder combater com selecções que têm tudo. Lembro que no último Mundial vencemos selecções como a Ucrânia e a Dinamarca que são tipicamente países de andebol.       

Angolanas em acção
- Vês possibilidade de, conjugando as qualidades inatas dos Angolanos com um trabalho de base na formação dos jogadores, Angola poder vir a lutar por lugares mais altos nas Competições Mundiais de Andebol? Ou o nível competitivo dos campeonatos europeus é essencial para se ser bem sucedido nas competições internacionais?

Será sempre difícil lutar pelos lugares cimeiros, contudo se os esforços forem bem canalizados e existir uma planificação mais cuidada, esse quadro pode mudar. Angola neste momento tem seis equipas na versão feminina. Cinco equipas competem em Luanda e a sexta equipa é de Benguela. O campeonato este ano vai realizar-se numa província do interior. Até ao momento as equipas jogaram um campeonato provincial e um torneio num total de 13 jogos. No campeonato nacional serão feitos de 6 a 8 jogos o que somará cerca de 21 jogos oficiais até ao momento. Seguir-se-á a Taça dos Clubes Africanos com um total de cerca de 10 jogos.  O número de equipas em Angola, não permite a existência de uma competição regular e com a qualidade suficiente para garantir um rendimento similar às congéneres europeias com campeonatos bem diferentes. O aumento quantitativo e qualitativo das equipas é fundamental bem como o incremento de contacto internacional ao nível das selecções.

- Os resultados e as performances desportivas alcançam, cada vez mais, resultados impressionantes, dada a evolução tecnológica à volta do desporto e também do aumento do nível de eficácia de treino. A evolução do Andebol tem sido feita à base da técnica ou à base da força dos seus atletas?

A técnica surge quase sempre em função da táctica e como tal os exercícios devem ser construídos nesse sentido. O “como fazer” deve ser condicionado pelo “quando” e “para quê”. A especificidade dos trabalhos também é decisiva para o incremento do rendimento, não só a nível físico (que fontes energéticas? Que funcionalidade?) mas também a nível táctico, já que tudo o que é trabalhado deve estar em associação directa com o modelo de jogo escolhido, para não haver perdas de tempo… 

- Ao nível táctico, tem-se observado grandes alterações nos esquemas apresentados pelas equipas de topo? Ou estamos numa fase de estabilização a esse nível?

As alterações que actualmente se observam apontam no sentido de jogar sobretudo mais com princípios de jogo e menos com base num conjunto de movimentos tácticos (“jogadas”) sendo isto também válido para a defesa.

- Ganhaste quatro vezes o Campeonato Nacional de Andebol, como treinador principal e adjunto, o que dirias ser essencial para se ser campeão em Portugal?

Para se ser campeão, não só em Portugal, mas em qualquer parte do mundo, é essencial que a equipa conheça o seu papel. Quando me refiro a equipa, incluo todos os seus componentes, treinadores dirigentes e atletas. Para que todos os factores (físico, técnico-táctico, psicológico e teórico) possam contribuir para o rendimento, é necessário que tudo esteja no seu lugar. Cabe ao líder da equipa desenhar o percurso e adaptar caminhos secundários para chegar ao fim da viagem com êxito. Estabelecer metas individuais e de equipa coerentes e ao mesmo tempo ambiciosas definem o rumo. Controlar o processo com a gestão dos êxitos e dos fracassos marcam o equilíbrio ao nível da convivência.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os campeonatos não-profissionais

Aqui, na Sociedade Anónima Desportiva, nutro um grande interesse pelos chamados Campeonatos não-profissionais de futebol. Para milhares de pessoas em todo o país, este domingo foi dia do regresso da bola. Primeira jornada dos Campeonatos da 2ª Divisão e da 3ª Divisão, para além de uma série de competições distritais (mas aos distritais chegaremos mais tarde).
O nosso destaque desta semana vai para a Zona Sul da 2ª Divisão. À partida, cinco candidatos ao primeiro lugar. Atlético de Reguengos, Mafra, Oriental, Atlético e Torreense. No entanto, a lógica, nestas divisões, é muita vezes uma batata, sendo de esperar algumas surpresas ao longo da competição.
A primeira delas aconteceu logo nesta primeira jornada, com o Reguengos a perder na deslocação aos Açores, 2-0 a favor do Operário. Nos restantes jogos, os favoritos mostraram a sua força, ainda que as diferenças nos resultados não tenham sido expressivas.
Destaque para o regresso do Carregado a esta categoria, depois de um ano na liga profissional. O regresso ao seu campo não lhe foi favorável, pois recebendo o Atlético, não conseguiu demonstrar os ganhos da experiência no profissionalismo, comprovando que as várias saídas no seu plantel lhe poderão ser fatais.
Nota ainda para o Farense que, jogando no mítico São Luís, disputou um dérbi regional contra o Louletano, acabando tudo a zeros.
O jogador da semana, neste campeonato, é Samarra, do Oriental. Beneficiando de um penalti no último minuto, o capitão da equipa lisboeta assumiu as responsabilidades e marcou o golo da sua equipa. Samarra, nome de família e não alcunha, jogou sempre em clubes lisboetas, enquanto sénior, tendo, na sua formação, jogado dois anos no FC Porto.
Na próxima semana não haverá jogos deste campeonato, devido à 2ª eliminatória da Taça. Para dia 26 de Setembro, as expectativas estarão no jogo da Zona Centro entre o Sporting de Espinho e o Boavista. Isto, claro está, se a equipa do Bessa conseguir inscrever-se a tempo.

Uma estrela na sombra


Anthony Masetti nasceu em 1951 em Nova Iorque, cidade dos Estados Unidos para onde se havia mudado o seu pai, há muitos anos atrás, para ajudar os seus familiares num restaurante em Little Italy, Manhattan. O pai de Masetti era um adolescente quando fez a longa viagem para o lado de lá do Atlântico, fugindo ao estado de crise social que se vivia em Itália poucos anos antes de estalar a Segunda Guerra Mundial. O sonho de muitos italianos dessa época era encontrar no Novo Mundo o sucesso que a Velha Europa lhes parecia negar, e assim aconteceu com a família de Masetti.
Nem todos os homens da família eram, no entanto, pessoas de pouco sucesso. Guido Masetti terá sido o mais famoso de entre eles, chegando a ser considerado um dos melhores guarda-redes italianos da década de 1930. O pai de Anthony falava sempre da emoção que tinha sido ver o seu primo Guido nas laterais do relvado do estádio Nazionale de Roma, a 10 de Junho de 1934, na final do Campeonato do Mundo de Futebol. Tendo ficado como uma das lendas do futebol, Guido Masetti foi duas vezes campeão do Mundo sem nunca ter jogado na equipa nacional.
Anthony Masetti cresceu assim a ouvir as histórias de futebol contadas por seu pai, ouvinte semanal de todas as transmissões via rádio de jogos do seu Lázio de Roma. Anthony sonhava com a glória dos estádios cheios de gente para ver jogos de futebol, coisa que nunca tinha encontrado em Nova Iorque, onde o mais que se podia ver eram alguns homens a jogar em terrenos baldios nos fins de tarde de domingo. Anthony sempre quis ser como aqueles homens que corriam atrás de uma bola, e algumas vezes chegou a jogar entre eles, quando um dos homens era chamado para trabalhar ou para resolver algum problema de família e uma das equipas ficava com um elemento a menos.
Sem treino e sem prática quase nenhuma, para Anthony não foi problema apresentar-se nos treinos de selecção do New York Cosmos, uma equipa formada na cidade por dois irmãos turcos, Ahmet e Nesuhi Ertegun, e o dono da Warner Bros, Steve Ross. Era uma equipa que prometia ser a sensação da N.A.S.L., a liga norte-americana de “soccer”. Anthony Masetti não era um portento de qualidades futebolísticas, mas juntava dois elementos que foram queridos à comissão que seleccionava os jogadores. Era descendente de italianos, o que constituía, desde logo, um mercado, e tinha a dedicação suficiente para nunca faltar a um treino, nem se negar a um jogo, coisa que não era tão habitual como o desejado, dada a maioria dos treinos e jogos dos primeiros anos do Cosmos se realizarem em campos sem as mínimas condições.
Com o início do primeiro campeonato em que o Cosmos participou, Anthony Masetti acabou por revelar-se um importante trunfo. Dos poucos milhares de pessoas que preenchiam as bancadas nos jogos em casa do Cosmos, perto de um milhar deslocava-se ali para ver Anthony Masetti. Era, sem dúvida, um jogador medíocre, que ficava muitas vezes perdido na extrema-esquerda do ataque da equipa, mas era um Masetti, um italiano, um rapaz que tinha atingido o seu sonho,  e isso levava gente ao estádio. Por isso jogava Masetti tantas vezes.
Masetti foi assim ganhando o seu espaço numa equipa que, com o passar dos anos, foi vendo cada vez mais estrelas a chegar. Pelé, David Aitken, Dave Clemens, Giorgio Chinaglia, e, mais tarde, Carlos Alberto, Beckenbauer, Neeskens, Marinho, todos eles jogaram ao lado do mais que famoso Anthony Masetti, o homem cuja família dominava o clube de fãs do New York Cosmos, sendo, ano após ano, considerado entre os três jogadores mais apreciados da equipa. Para mais, desde a sua chegada em 1976, tinha-se tornado no melhor amigo de Giorgio Chinaglia, um outro italiano de Roma, antigo jogador da Lázio, o clube do seu pai, que veio revolucionar o futebol e o balneário do Cosmos. Chinaglia era um ponta-de-lança, o homem que queria sempre a bola e nem Pelé escapava à sua fúria de marcar golos. Se necessário fosse, Chinaglia colocava-se no caminho do Rei e finalizava como um louco.
Anthony Masetti, que nem precisou da chegada das estrelas para cada vez ter menos minutos de utilização, manteve o seu lugar no plantel porque era ele o homem que compreendia Chinaglia. Era ele quem o acompanhava em todas as saídas nocturnas, era ele quem lhe proporcionava todos os desejos em tempos de viagens e estágios, era ele quem promovia, junto do clube de fãs, a eleição de Chinaglia como jogador favorito do clube. Anthony Masetti jogou no New York Cosmos desde 1971 até 1984, ano em que a própria N.A.S.L. se extinguiu. Masetti tinha 33 anos e cinco títulos de campeão, apesar das menos de 100 presenças em jogos, num total de 14 épocas. Talvez fosse uma estrela um tanto apagada, mas nenhum outro jogador norte-americano se pode gabar de tal palmarés.  

domingo, 12 de setembro de 2010

A estreia da Física na Taça Cers

A equipa do HC Quévert
O sorteio da Taça Cers 2010/11 marcou a estreia da equipa da Física de Torres nas competições europeias com a equipa francesa do HC Quévert. A equipa francesa é uma presença habitual nestas competições, tendo participado na Liga Europeia na época passada, contando todos os jogos como derrotas num grupo que englobava Barcelona, Lloret e Bassano.
A equipa do HC Quévert aposta na formação e a maioria dos jogadores do seu jovem plantel foram formados no clube. Apenas um dos jogadores dos seus quadros representou a França que conquistou a medalha de Bronze no Europeu de Wuppertal, o guarda-redes Olivier Gelebart, que acumula as funções de treinador da equipa desta pequena vila na Bretanha francesa.
Uma das dificuldades que a equipa da Física irá encontrar é um pavilhão habitualmente cheio. Na temporada passada, onde o Quévert se qualificou em segundo lugar no campeonato, a média de espectadores no pavilhão foi de 950 pessoas.
Entre as restantes equipas portuguesas, o HC Braga defrontará os ingleses do Middlesborough, em jogo a contar para a pré-eliminatória da Taça Cers (a mesma do Física - Quevert), sendo que, nos oitavos-de-final, o Oliveirense defrontará os espanhóis do Igualada e o Benfica o vencedor do encontro entre o Lodi, de Itália, e o Thunerstern, da Suiça.
No sorteio da Liga Europeia, o FC Porto disputará o Grupo D com os italianos do Valdagno, os franceses do Courtras e os alemães do Cronenberg, enquanto a equipa do Candelária disputará o Grupo C com duas equipas espanholas, o Vic e o Noia, e os italianos do Viareggio.

sábado, 11 de setembro de 2010

Regresso do Nacional de Andebol


Regressa hoje o Campeonato Nacional de Andebol, denominado Andebol 1. Pela primeira vez, este campeonato inicia-se com um vencedor de uma competição europeia, o Sporting, o que se espera possa dar uma maior visibilidade ao Andebol luso, juntando a isso o facto da selecção de Sub-20 ter conquistado um fabuloso 2º lugar no respectivo Europeu. A única nota menos positiva neste percurso será o afastamento do FC Porto da Liga do Campeões, depois de um dramático empate frente ao Dinamo de Minsk, no apuramento. Ainda assim, é o Andebol português pujante e cheio de atractivos o que entra em campo este fim-de-semana.
A generalidade das equipas é formada por atletas portugueses, sendo que o campeonato contará com apenas 7 estrangeiros. Para além disso, há uma forte aposta das diferentes equipas em jovens jogadores, de uma geração que se espera que traga algumas alegrias aos adeptos do Andebol. Entre os favoritos, ainda assim, nada de novo. Espera-se que as seis equipas mais fortes explanem a sua superioridade perante as seis equipas mais fracas, havendo poucas probabilidades de isso assim não acontecer.
O campeão nacional em título, o FC Porto, faz uma aposta na continuidade, mantendo um equilibrado conjunto com jogadores jovens e jogadores experientes, esperando-se de Filipe Mota, Wilson Davies e Gilberto Duarte a liderança da equipa na disputa do título. Dos seus opositores, terá sido o Sporting quem mais se reforçou, com a aquisição do jovem Rui Silva (ex-Xico) e do guarda-redes Hugo Figueira (ex- ABC) a merecer maior destaque. Os verde e brancos tentarão demonstrar no Nacional tudo aquilo que, no ano passado, mostraram na Europa, havendo alguma expectativa em redor do trabalho do treinador Paulo Faria.
Entre os outros favoritos, destaque para a experiência do Madeira Sad, reforçada com Nuno Silva (ex-Xico), outro dos vice-campeões europeus de Sub-20. O Benfica apostou na experiência para reforçar o seu grupo, com o regresso a Portugal de José Costa (ex- Pilotes) e ainda com a aquisição de Pedro Graça e Milan Vucicevic (ex- Sp. Horta). O ABC garantiu o regresso a casa de Humberto Gomes (ex-Sporting), Álvaro Rodrigues (ex- FC Porto) e José R. Costa (ex-Xico). Já no Belenenes, a aposta na juventude é clara, subindo a sénior quase toda a equipa titular dos juniores e adquirindo o jovem guarda-redes José Lopes (ex-Sporting) e o pivot João Antunes (ex-Belenenses).
Entre as seis equipas que lutarão para não descer, destaque para o Sporting da Horta, que aposta num grupo muito reduzido, onde sobressaem Nélson Pina (ex- Belenenses) Kostevsky (ex- Madeira Sad) e a manutenção de David Graça. Entre as restantes equipas, os olhares vão estar em jovens esperanças do andebol nacional, na expectativa de darem o salto para as equipas mais fortes, o que será o caso de Marino Machado, do Xico Andebol e Hugo Silva do São Mamede.
O primeiro jogo a ser televisionado pela RTP 2 será o São Bernardo - Sporting, na tarde de domingo.
É o andebol. Está a bola em jogo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Hóquei em carica

As linhas do campo

Disputa-se esta semana em Wuppertal, Alemanha, mais uma edição do Campeonato da Europa de Hóquei em Patins. De cada vez que assisto a uma competição internacional deste desporto, volta-me à ideia uma fantástica prancha de contraplacado branco que me acompanhou durante anos, entre a infância e a adolescência.
A prancha teria uma medida próxima dos 110cm por 45cm. Desenhado num dos lados da prancha, estavam as linhas do campo de Hóquei em Patins. Durante horas e horas, disputaram-se nessa prancha os mais variados campeonatos de Hóquei, entre Mundiais, Europeus e Nacionais.
Uma ferramenta indispensável, nos tempos anteriores à Internet, era guardar a edição do jornal em que saíam publicados os plantéis de todas as equipas participantes no Nacional. Era o tempo dos grandes dérbies entre Sporting, Porto, Benfica e Óquei de Barcelos, o tempo de equipas históricas como o União Grundig, o Turquel, o Campo de Ourique, tempos em que eu fazia de tudo para que a Física se mantivesse sempre na minha 1ª Divisão. Na altura das grandes competições, era muito importante anotar os nomes de todos os jogadores internacionais, de modo a conseguir manter uma base de dados minimamente actualizada para os jogos de selecções. Daí, enquanto as grandes selecções eram anualmente actualizadas, lembro-me de ter utilizado, durante anos, a mesma selecção colombiana, provavelmente desfasada da realidade. Mas que importava isso?
O importante era o jogo, o fazer raspar a carica no contraplacado para imitar a travagem dos patins, as inúmeras tentativas de remates de longe para simular o golo mais fantástico.
Eram belos tempos, sim. Os tempos dos campeonatos de Hóquei em Patins de carica.

(Receita para um jogo de Hóquei em Patins de carica: uma tábua com as linhas desenhadas, vinte caricas numeradas de 1 a 10, com cores diferentes, duas balizas de bolos de anos viradas ao contrário. Um enorme desejo de ser feliz e a possibilidade de viver com alguém que não nos condene por jogar à carica, mas isto só no caso de termos muito mais de doze anos de idade)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Não sei se alguma vez Adu se adaptará à alta-competição" - Entrevista a Beau Dure

Beau Dure em Pequim

Após a leitura do seu livro Long-range goals: the success of Major League Soccer, entrei em contacto com Beau Dure para saber a sua opinião sobre alguns pontos comuns entre a MLS e o futebol português e europeu.

Beau, no teu livro há uma questão recorrente que, na cabeça de um adepto europeu, nunca tem lugar: a hipótese de uma equipa, ou da própria liga, se extinguirem. Como é que, como adepto, lidas com isso?

É realmente complicado para os adeptos, mas a MLS está projectada para prevenir acontecimentos como esse. No fundo, a liga não permite que uma equipa gaste demasiado dinheiro, nem tenha problemas financeiros. Outras ligas e equipas, entre os anos 30 e 80, cometeram esse erro, o que acabou por atrasar o desenvolvimento do futebol nos Estados Unidos.

Com que imagem ficaste dos portugueses que passaram na MLS, Carlos Queirós como treinador dos Metrostars e Abel Xavier como jogador dos Galaxy?

O Carlos Queirós é muito bem visto nos Estados Unidos e foi uma perda para os Metrostars que ele não tenha ficado mais tempo à frente da equipa. No caso do Abel Xavier, não apresentou condições físicas nem psicológicas para ser um jogador produtivo em Los Angeles.

Existe uma grande comunidade de portugueses nos Estados Unidos, no entanto, são poucos os portugueses que passaram pela MLS. Qual é a razão para que isso aconteça?

Os bons jogadores portugueses ganham mais dinheiro no vosso campeonato, sendo que os melhores jogadores conseguem excelentes contratos nas maiores ligas europeias. A MLS acaba por contratar jogadores de países cujas ligas não têm grande competitividade financeira. Por outro lado, a liga tenta contratar alguns jogadores que já não estão na sua melhor fase, sendo que isso tem vindo a ser limitado a jogadores como o Thierry Henry e o Juan Pablo Angel, que estão em boas condições e fazem com que mais gente vá assistir aos jogos. Quando os Galaxy contrataram o Abel Xavier, era isso que esperavam dele, embora ele não tenha cumprido.

Freddy Adu foi um dos jogadores que causou maior furor na história da MLS. No entanto, desde que veio para a Europa, a sua carreira não evoluiu, com passagens por Portugal, França e Grécia. O que achas que aconteceu com ele e até onde te parece que ele ainda poderá chegar?

O Freddy passou por uma série de situações problemáticas. No Benfica, ele parecia ser apreciado pelo treinador que aconselhou a sua aquisição, mas com a mudança de treinador, nunca mais foi opção. Com o empréstimo ao Mónaco, o presidente (que foi educado nos Estados Unidos) esperava utilizá-lo como embaixador da equipa na América, mas o treinador não gostou de se ver forçado a aceitar um jogador que não tinha escolhido. Neste momento, acho que o Benfica devia tentar encontrar um lugar onde as capacidades do Adu pudessem ser desenvolvidas, apesar dele ter feito alguns bons jogos no final da época passada, com a camisola do Aris. O problema dele é básico: só consegue dar uma boa resposta quando não é pressionado fisicamente. Nas camadas jovens e nos Jogos Olímpicos, ele fez exibições fenomenais. Ele também consegue estar muito bem em jogos amigáveis, onde é menos castigado pelas defesas. Mas num jogo competitivo, ele pode ser anulado muito facilmente. Não sei se alguma vez ele se conseguirá adaptar à alta-competição.

Chad Marshall
Cada vez mais jogadores americanos chegam à Europa para tentar a sua sorte. Em quem apostarias como a grande figura do futuro no futebol dos Estados Unidos?

O Landon Donovan provou o ano passado, no Everton, que pode ter sucesso na Europa, desde que encontre a equipa certa. O Jozy Altidore e o Charlie Davis já jogam na Europa e poderão, em breve, ser avançados muito sólidos para qualquer equipa (assim o Davis recupere das lesões provocadas por um acidente automóvel). O defesa Chad Marshall, do Columbus Crew, é excelente no jogo aéreo e poderá, num futuro próximo, receber uma proposta para jogar numa liga europeia.
Um jogador a ter em conta é o Andy Najar, que tem apenas 17 anos e já se estreou pelo DC United, esta época. A grande questão é se ele escolherá jogar pelos Estados Unidos ou pelas Honduras, onde nasceu.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A experiência Ebbsfleet


Ebbsfleet United é um clube dos arredores de Londres que entrou na história do futebol por ter sido alvo de compra pelo projecto Myfootballclub, que adquiriu 75% da sociedade quando esta estava perto de declarar falência. Em Agosto de 2007, 50.000 pessoas contribuíram com 35 libras cada uma para esta compra, tendo ganho o direito a participar em todas as decisões da vida do clube, desde investimentos no estádio, transferências, até a poder sugerir um onze titular para cada um dos jogos. Muitos desses investidores acreditaram ter nesta experiência a possibilidade de tentar, na vida real, aquilo que é experimentado nos jogos de computador de gestão de clubes. Mas a realidade veio a revelar-se bem distinta.
Liam Daish, antigo internacional irlandês e treinador do Ebbsfleet United, lembra que não é fácil a vida de um treinador no futebol amador. Para além de todos os problemas que surgem diariamente num grupo de atletas com outros empregos, tomar decisões sem estar nos treinos e sem conhecer pessoalmente os jogadores, poderá não dar os resultados desejados. Para mais, os investidores do Myfootballclub estariam à espera de conseguir estar à frente de um clube de maior nomeada do que o Ebbsfleet, o que terá levado à desmotivação dos  mesmos.
No início da época de 2010/11, a descida de divisão e a saída da maior parte dos jogadores do plantel coloca o Ebbsfleet em situação complicada. Dos investidores iniciais, sobram agora 800 pessoas, muitas delas alheadas das decisões que vão sendo tomadas no site do Myfootballclub. A experiência da gestão partilhada de um clube de futebol é discutida em Inglaterra como sendo uma aposta falhada. A realidade não é tão doce como os jogos de computador. Felizmente, temos os jogos de computador.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Artur Pinheiro, o ginasta guarda-redes

Pinheiro no Barreirense
Artur Pinheiro terá sido dos mais jovens guarda-redes a estrear-se na Primeira Divisão, decorria a época de 1951-52, num Salgueiros - Barreirense disputado na cidade do Porto. Mas a sua paixão pelo futebol começou bem mais cedo.
Na "moderna vila industrial e operária" do Barreiro, no início dos anos 40, Artur Pinheiro era um dos muitos jovens que praticava o futebol do pé-descalço, guardados que eram os sapatos para os bailes de domingo. Filho de um negociante de sucata, Artur cedo demonstrou apetência para a baliza, e começou a praticar futebol oficialmente nas equipas jovens do Barreirense. Corria, então, a época de 51-52 quando Francisco Silva, guardião titular da equipa do Barreirense, se lesionou. Perante a urgência de encontrar um substituto, a direcção pediu uma autorização especial para utilizar o jovem Pinheiro, na altura, com 17 anos. A viagem para o Porto, segundo Artur Pinheiro, foi um espectáculo. "Quando estava no balneário, um dos directores chegou ao pé de mim e perguntou-me se eu estava preparado para tamanha responsabilidade. Eu sorri para ele e respondi-lhe que uma grande responsabilidade tinha um condutor de transportes de crianças. Jogar futebol era um divertimento". Não terá sido sem algum pavor que o dirigente do Barreirense ouviu tão insolentes palavras. Mas a verdade é que Pinheiro conquistou o público que assistia ao jogo nessa tarde, acabando o Barreirense por sair vencedor da contenda. Durante essa época, ainda com idade júnior, haveria de disputar 14 jogos na Primeira Divisão.
Mas como, na altura, o futebol não era ocupação que garantisse a subsistência de ninguém, o pai de Artur Pinheiro chamou-o para uma conversa. Estava na hora de fazer uma escolha: ou voltar à escola ou aprender um ofício. Consultou-se o Presidente da Câmara do Barreiro, amigo da família, e o jovem Artur começou a partilhar os dias entre treinos e aulas na Escola de Soldadores, em Belém. Diz o próprio, "na altura, eu era um Rodolfo Valentino. Usava brilhantina, vestia bem. Para além disso, toda a gente queria cumprimentar o Pinheiro. Aparecia nos jornais e as pessoas queriam falar comigo". Pinheiro completou seis épocas na primeira categoria do Barreirense, partilhando a baliza com o já referido Francisco Silva e Isidoro. Em 57-58, deu-se a sua transferência para o SCU Torreense. "O dinheiro da transferência havia sido conseguido entre alguns empresários de Torres Vedras, entre os quais o administrador da Casa Hipólito. Quando cheguei à cidade, encontrei-me com ele e disse-lhe que gostaria de trabalhar na empresa. Como já tinha aprendido o ofício, tornei-me funcionário da Casa Hipólito, onde fiquei muitos anos". Com a camisola do Torreense fez duas épocas na Primeira Divisão. Reconhecido como um grande atleta, "chegava a ir a correr de Torres Vedras a Santa Cruz, dando meio volta e voltando para casa. Toda a gente dizia que o Pinheiro era maluco, mas como eu não era muito alto, tinha que ter ginástica para sobressair na baliza". É provável que o jogo de maior destaque que Pinheiro disputou na Primeira Divisão tenha sido o último. Na última jornada do Campeonato de 58-59, Pinheiro foi considerado um dos melhores em campo, num jogos frente ao FC Porto. O Torreense acabou por sair derrotado por 0-3, sendo que o Porto festejou o título nacional com uma vantagem de apenas um golo sobre o Benfica.
Artur Pinheiro nunca representou a Selecção Nacional, tendo, no entanto, participado nos treinos da Selecção Militar. Disputou, na altura, a titularidade com Dinis Vital (Lusitano de Évora), mas um dedo fracturado na véspera de uma viagem a Itália, deixou-o sem qualquer internacionalização. "Estava destinado a não ir a Itália." No final da sua carreira, deixou o Torreense para representar o Caldas e o Peniche, na altura na 3ª Divisão. Pinheiro tinha 38 anos, mas na reunião com o Presidente do GD Peniche, foi deixado à vontade para pedir o quanto queria para assinar contracto. Sendo que ele mantinha o emprego na Casa Hipólito, pediu para receber o mesmo ordenado que os outros guarda-redes da equipa, mais 60 contos de luvas. "O Presidente esfregou as mãos e passou-me logo o cheque. Quando saí da reunião, sentei-me num banco de jardim, lá em Peniche, e quase chorei. Se tivesse pedido 200 contos, eles tinham-mo dado". Foi a sua última época como jogador. Depois disso, dedicou-se à sua actividade profissional de soldador, tenho trabalhado em Portugal e na Alemanha. Hoje em dia, Artur Pinheiro é um homem orgulhoso da sua carreira. É impossível não notar como brilham os seus olhos, sempre que lhe relembram algum dos seus feitos na baliza.

(As citações foram recolhidas durante uma conversa com Artur Pinheiro. Um especial agradecimento ao Rui Malheiro pela disponibilização de dados sobre a carreira do atleta na Primeira Divisão)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Houve Taça!

Um ano depois de um encontro da segunda eliminatória da Taça de Portugal 09/10, Desportivo de Chaves e Amares voltaram a encontrar-se no Municipal de Chaves. Desta vez, o Desportivo com a honra de finalista vencido da competição do ano anterior, mas com uma equipa despedaçada, depois de um verão de terror, pela descida de divisão, os problemas directivos e a falta de dinheiro. 
O Desportivo entrou em campo com apenas quatro atletas que pisaram o relvado do Jamor, há meses atrás. Curiosamente, jogadores que causaram muito boa impressão nessa final, como Edu ou Bruno Magalhães. A crónica do encontro refere uma série de oportunidades falhadas pela equipa da casa, uma expulsão no início do prolongamento e dois golos do Amares. Com a equipa a perder 0-2, a esperança renasceu com dois golos tardios, a restabelecer o empate e a levar o jogo para as grandes penalidades. 
No entanto, a lotaria não calhou ao Desportivo. O Amares levou a melhor e, um ano depois, vingou o afastamento prematuro da Taça, assumindo-se como um dos primeiros tomba-gigantes da edição deste ano. 

*

Outro dos vencedores desta primeira eliminatória da Taça de Portugal é o Sampedrense, equipa de São Pedro do Sul que, no ano passado, venceu o Campeonato Distrital de Viseu e se prepara agora para disputar a 3ª Divisão Nacional. Em Oliveira do Douro, os rapazes da Beira venceram por 2-1, contando para tal com um golo de Jusko, avançado portador de um nome que homenageia, com alguma justiça, um outro avançado que passou pelo futebol português, o polaco Juskowiak. De seu nome Jorge Leitão, Jusko representou equipas como o Ac. Viseu, Tondela, Social de Lamas, representando pelo terceiro ano consecutivo o Sampedrense, agora nos Nacionais. Ontem, com o seu golo, ajudou a sua equipa a vencer na Taça. As gentes de São Pedro do Sul confiam neste craque para evitar a descida aos distritais.

*

O Tojal, impedido de jogar no seu terreno de jogo devido às medidas do mesmo, recebeu o Mafra no Campo do Bonjardim, em Frielas. Fora do seu ambiente e contra uma equipa que começa a ganhar cartel na Taça (lembrar a boa figura no Estádio Alvalade XXI, o ano passado), o Tojal entrou muito mal numa época que terá que ser jogada sempre fora de casa. A maior goleada desta primeira eliminatória, 0-8, veste assim de amarelo e verde e tem, entre os marcadores, jogadores bem conhecidos das divisões secundárias, como Catchana ou Kifuta, numa equipa que conta ainda com o guarda-redes Márcio Santos ( o agora trintão conta com passagens no Sporting e Real Madrid B, para além de alguns anos nos bancos da 1ª Divisão). Veremos se este resultado fará com que o Mafra apareça em lugares de destaque na 2ª Divisão. Há já alguns anos que  José Cristo, o presidente da equipa mafrense, sonha com a chegada da sua equipa às divisões profissionais. O campeonato começa, já, na próxima semana.

O homem revoltado


Abdel Kader sempre se lamentou da sua sorte. Filho de um comerciante de Alger, desde cedo seu pai lhe tinha marcado o destino: estudar para vir a ser um doutor, o primeiro doutor da família. Mas Abdel, para surpresa do seu pequeno círculo familiar, sempre encarou esse desejo como um problema. Era um rapaz simples que apenas desejava ser jogador de futebol, mas o pai, incapaz de aceitar esse sonho de infância do seu filho, obrigava-o a estudar. 

Abdel Kader  também nunca deixou de cumprir com o que eram  as suas responsabilidades. E assim, mesmo sendo um francês de segunda na sua Argélia natal, Abdel estudou sempre de uma forma dedicada para ser o melhor da turma, objectivo que atingiu em diversos anos da sua escolaridade, e conseguir entrar para a Universidade. Não era segredo que Abdel aproveitava todos os momentos para sair a jogar futebol com os seus amigos do bairro, mas como actividade de lazer, como brincadeira, não haveria o pai de o castigar, já que Abdel, não só nos estudos, também se mantinha como ajudante dedicado no negócio da família.

Com a entrada na Universidade quase garantida, já que Abdel conseguira uma bolsa para terminar o seu curso dos Liceus, o jovem argelino tinha engendrado um grande plano para, finalmente, poder conciliar o futebol e os estudos. Assim, prestou provas na equipa júnior do Racing Universitaire d’Alger, a equipa de todos os universitários da cidade, conseguindo um lugar no plantel. O pai, não estando de acordo, não podia deixar de se orgulhar pelo filho, aos dezasseis anos, já frequentar os meios da Universidade. E assim estavam felizes os dois. O pai pelo estatuto, o filho pela oportunidade.

A oportunidade e o plano de Abdel eram, no entanto, de maior monta do que aquilo que poderia parecer à primeira vista. Não só conseguira jogar numa equipa de futebol, sonho há muito perseguido, como imaginava que mostrando todas as suas qualidades de guarda-redes treinado nas ruas, Abdel Kader conseguiria chegar à primeira equipa do Racing Universitaire. E, uma vez atingido esse nível, os estudos de pouco interessariam, até porque os seniores do Racing lutavam agora pelo título de campeão nacional.

Abdel Kader treinou-se, afincadamente, durante uma época inteira. Era um novato e precisava de melhorar todos os seus índices, técnicos e físicos. Desde os primeiros treinos que o treinador o via como um prometedor guardião, assegurando-lhe a titularidade da equipa de juniores na época seguinte. No entanto, para Abdel, quanto mais perto estava o sonho, mais perto também estaria a desilusão. E assim foi, no mesmo ano em que conseguiu entrar na Faculdade, 1928, Abdel Kader viu chegar à sua equipa, vindo da modesta equipa do A.S. Montpensier, Albert Camus.

Albert Camus era um francês branco cujo mito parecia ser bem maior do que o homem real. Apesar de ser um jovem como Abdel Kader, Camus era conhecido no meio dos estudantes por ser um brilhante pensador e conversador. Era presença assídua nos cafés e tertúlias da Universidade, sendo que conjugava essa faceta intelectual com o facto de ser, também ele, um prometedor guarda-redes.  E ao chegar ao Racing, Albert Camus vestiu a camisola número 1, enquanto Abdel Kader se habituou a vê-lo, domingo a domingo, desfazer o seu sonho.

Depois de dois anos a ver jogar Camus nos juniores, Abdel Kader dedicou-se ao estudo da Filosofia. Camus teria sido o grande guarda-redes do Racing nas suas vitórias no Campeonato Argelino da década de 1930, não fosse a doença tê-lo afastado da prática desportiva. Abdel Kader, depois do desgosto de lhe ver roubada a possibilidade de ser futebolista, viu também Camus roubar-lhe o protagonismo no campo da filosofia. Certos homens nascem para viver na sombra. Foi o que sempre pensou Abdel dos sonhos de grandeza que o seu pai lhe tinha reservado.