sábado, 10 de dezembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Muitas maneiras de jogar feio






Existem muitas maneiras de jogar feio. Apenas, umas serão mais bonitas do que outras. Ontem, em Alvalade, o União de Leiria e Manuel Cajuda saíram de campo aplaudidos pela crítica que elogia os leirienses por jogarem bom futebol frente a um candidato ao título. Mas há que olhar para lá das evidências.


Perante um Sporting fragilizado por lesões e  numa situação de óbvia ansiedade (não nos esqueçamos que se trata de uma equipa muito jovem – ontem tinha dois juniores e dois seniores de primeiro ano nos dezoito convocado – a ver-se bem perto da liderança do campeonato com dez jogos jogados), Manuel Cajuda foi inteligente na forma de montar a sua equipa.

Basicamente, a estratégia passou por duplicar na zona intermediária o esquema mais recuado da equipa. Olhando para o onze, a uma linha de quatro defesas (Ivo Pinto, Hugo Alcântara, Diego Gaúcho e Maykon) que quase nunca saiu da posição, Cajuda juntou uma linha de cinco jogadores com obrigações também defensivas. Tiago Terroso, André Almeida e Marcos Paulo a povoar o centro do terreno, Patrick, um defesa-esquerdo, a marcar João Pereira e Jô, do lado contrário, basicamente a pressionar o jogador com posse de bola. Na realidade, o único jogador com pensamento ofensivo da equipa era Djaniny, que ia aproveitando as dificuldades do Sporting sair com bola para, no espaço entre linhas (faltava, evidentemente, um Rinaudo ao Sporting), criar perigo.

O que resultou desta táctica? O Sporting sentiu dificuldades crescentes para sair com bola, principalmente quando diminuía a intensidade de jogo (aconteceu a seguir aos dois golos). Schaars e Matías eram engolidos pelo meio-campo povoado do Leiria, João Pereira e Evaldo, muito pressionados, não conseguiam encontrar manobras de progressão e a dupla de centrais ia ficando sobre brasas (Carriço e Ilori são duas opções de recurso que, apesar das extremas dificuldades sentidas, saem com três pontos no bolso).

A pressão leiriense também se fez muito da agressividade dos seus jogadores perante um Sporting macio. Edson, Tiago Terroso e Jô foram os que mais se destacaram na forma de abordar as jogadas, sempre em cima do risco. No entanto, um critério bem largo de Manuel Mota (tão largo que deixou ainda João Pereira escapar-se com uma agressão a Patrick) foi permitindo algum ascendente da parte do Leiria. Ainda assim, esse ascendente não se materializou em mais do que um remate à baliza (um remate = um golo), já que no que toca às restantes oportunidades criadas pelo Leiria nenhuma delas permitiu defesa a Rui Patrício. Já o Sporting fez seis remates à baliza leiriense, muito espaçados entre si, como se percebe claramente pelos minutos dos golos (8’, 50’, 93’).

Em resumo, o que aparentemente pode ser considerado como um bom espectáculo, não passou, na realidade, de uma forma particular de utilizar um esquema defensivo subido. Tratou-se de uma boa leitura de Cajuda mas isso não transforma o União de Leiria numa equipa melhor. Aliás, tanto não o faz que este mesmo esquema, na maioria dos jogos do campeonato, pouco servirá aos leirienses, dado que a maioria dos adversários privilegia um jogo directo e saberão desenvencilhar-se de uma defesa que acaba por dar muito espaço no último reduto (dizer também aqui que a opção por Pereirinha, por Domingos, facilitou bastante a vida de Cajuda na primeira parte). Ou seja, jogando assim, o Leiria continuará a perder. Como perdeu, aliás, este fim-de-semana.

Existem, realmente, muitas maneiras de jogar feio em Portugal.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A honra da equipa


Quantos anos pode esperar uma equipa até encontrar a sua glória? Nos dias de hoje, ninguém arriscará dizer mais do que um ou dois anos. No entanto, a glória pode ser medida de várias formas. Para o Sutton United, mais de uma dezena de títulos foi conquistada na sua longuíssima história. No entanto, para alcançar a verdadeira glória, foram necessários noventa anos. Sim, noventa anos. Exactamente o tempo que separa a fundação deste clube dos arredores de Londres do jogo em que atingiram a fama nacional e internacional. Esse jogo, a contar para a FA Cup, a famosa Taça de Inglaterra, foi disputado em sua própria casa, contra o Coventry City. A partilhar a felicidade dos milhares de adeptos deste pequeno clube estava Andy Murray, o guarda-redes suplente da equipa.
Andy Murray, enquanto jogador de futebol, era um produto da casa. Começou muito jovem, aos dez anos, a jogar na equipa do Sutton United. O nome deste clube raramente sai das portas do seu bairro. Disputando os campeonatos amadores ingleses, sem maiores ambições que não seja o facto de poder, domingo após domingo, satisfazer a vontade dos seus jogadores em terem um equipamento digno (todo de amarelo, neste caso), disporem de um relvado com as medidas regulamentares e conseguirem fazer um mínimo de pontos para não descer para um campeonato ainda mais fraco. Andy Murray disputou muitos jogos com a camisola da sua equipa enquanto adolescente e, quando  chegou a sénior, cumpriu o seu sonho, assinar um contracto amador para jogar na equipa principal.
Em 87-88, o clube lutava para encontrar a estabilidade na Conference League, o mais alto nível dos clubes amadores em Inglaterra. Andy Murray passou grande parte dessa época a treinar e a aspirar chegar ao lote de convocados, o que acabou por acontecer uma dezena de vezes. Na época seguinte, 88-89, Andy foi promovido a segundo guarda-redes. Tinha agora vinte anos, trabalhava como ajudante no talho local, a sua vida era perfeita. No entanto, ninguém poderia imaginar que, com a possibilidade de disputar a Taça de Inglaterra, o Sutton pudesse atingir um patamar de destaque. O conjunto de jogadores era o mesmo de há umas épocas, dirigidos por  Barrie Williams, um treinador com ares de Lord Inglês que passava os jogos a fumar o seu cachimbo, com um ar praticamente imperturbável.
Na primeira eliminatória da Taça, o Sutton United foi a Daggenham vencer por 4-0. Na segunda, uma deslocação a Aylesbury valeu-lhes uma vitória por 1-0. Quis o sorteio que, na terceira eliminatória, recebessem o Coventry City, equipa da Primeira Divisão Inglesa que ganhara a Taça de Inglaterra apenas dois anos antes. Na tarde de 7 de Janeiro de 1989, o estádio estava cheio. Andy Murray lembra-se bem do nervosismo que reinou durante toda a semana, das presenças de jornalistas nos treinos, da exigência do treinador em inventar uma forma surpreendente de marcar cantos e livres perto da área. Andy também se lembra que foi essa insistência que lhes valeu o resultado. Os jogadores do Coventry entraram em campo mais do que convencidos da vitória, mas a fúria dos amarelos de Sutton, conjugada com a sua organização,  valeram a grande surpresa da eliminatória. Nunca mais, desde esse dia, uma equipa amadora venceu uma equipa da Primeira Divisão na FA Cup.
O sorteio da eliminatória seguinte determinou o encontro do Sutton United com uma outra equipa canarinha, o Norwich City, à época uma das mais fortes equipas inglesas. No entanto, na semana anterior ao jogo, o guarda-redes titular lesionou-se, fracturando três dedos da mão enquanto trabalhava numa obra. Andy Murray teria a sua estreia na equipa do Sutton United num palco de sonho, Carrow Road. O mesmo campo que ele só vira na televisão, cheio de estrelas com quem ele nunca sonharia jogar, seria o campo da sua estreia. Foi um dia histórico, sim. Para Andy, que se estreou. Para o Sutton United, que disputou uma impensável quarta eliminatória da Taça. E para o Norwich, que conseguiu uma das suas maiores goleadas na competição. 8-0. Oito, o número de golos que Andy sofreu naquele jogo. Mas ainda assim foi destacado como um dos melhores jogadores da sua equipa. A sua coragem evitara um descalabro ainda maior.
Noventa anos esperou o Sutton United pelo seu dia de glória, e apenas dois dias teve que esperar Andy Murray pelo seu. Foi esse o tempo que demorou a tocar o telefone do talho onde trabalhava, sendo que do outro lado estava Ian Branfoot, treinador do Reading FC, equipa profissional da Terceira Divisão. O convite era para que Andy assinasse contrato de dois anos, e que se juntasse de imediato aos azuis e brancos, que estavam com um problema de lesões entre os seus guarda-redes. Andy Murray não pensou duas vezes. Aceitou. Largou o talho, a glória efémera do Sutton United, o seu bairro. Foi atrás de um sonho que alimentara durante muito tempo, sendo que, durante todo esse tempo o considerara impossível de alcançar.
Andy Murray jogou durante seis anos no Reading. Depois seguiu para Southampton, onde disputou alguns jogos da Primeira Divisão, durante três épocas. Depois, esteve duas épocas num depauperado Portsmouth, na Segunda Divisão, acabando por regressar ao Sutton onde ainda hoje joga, com 41 anos, sendo dono do talho local e treinador dos guarda-redes mais jovens da formação do seu bairro. Andy Murray é uma das figuras do clube, um dos rapazes mais respeitados da localidade. Dizem que, tendo sido um eterno suplente em quase todos os clubes por onde passou, ganhou um carisma que poucos guarda-redes conseguem manter durante toda a sua carreira. Em plena adversidade, Andy sobressai, salvando, senão o resultado, pelo menos a honra da sua equipa. E isso, meus amigos, tem um valor incalculável.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Guia Proliga 2011-12



Aí está a Proliga!

Mais um ano onde 12 equipas lutarão pela possibilidade de se juntarem ao topo do basquetebol nacional.

Esta temporada, atenção para duas equipas que estão muito fortes, o Algés e o Illiabum. Será deles o favoritismo na linha de partida, seguidos de conjuntos como o Galitos, a Física de Torres, a Oliveirense e o Angra Basket.  Na luta pelos restantes lugares do play-off, Sangalhos, Eléctrico, Maia Basket e Guifões parecem muito bem posicionados, enquanto Gaeirense e CD Póvoa lutarão para evitar, a todo o custo, a descida de divisão.

Poderá seguir o Guia completo por este link ou entrar procurar directamente a sua equipa:



Infelizmente nem todas as equipas responderam ao nosso apelo e assim alguns dados relativos a jogadores estão por completar. De qualquer maneira, não quisemos deixar de apresentar o Guia antes da competição iniciar.

Bom Basquetebol!

Guia Proliga 2012: Maia Basket

Um sobrevivente da Proliga, o Maia Basket surge com um dos plantéis mais prometedores da sua história nesta competição. Conseguindo manter a dupla que mais brilhou no ano passado, André Dara e João Diamantino, a equipa maiata vê chegar dois reforços de peso. Pedro Catarino chega com ritmo de campeão nacional e terá que mostrar em campo que merece estar num nível mais alto do nosso basquetebol. Alex Kravtsov traz qualidade e experiência, podendo contribuir quer no jogo exterior como interior. O Maia apresenta também um plantel mais extenso, querendo evitar os problemas sentidos no final da temporada passada. É candidato ao play-off.

Plantel

Base: Tiago Gavina (1,81m/ 20 anos),  Rui Marques (1,81m/ 21 anos), André Dara (1,78m/ 28 anos), José Gomes (1,88m/ 33 anos), Pedro Catarino (1,86m/ 20 anos)

Extremo: Joaquim Pires (1,89m/ 24 anos), Rui Sousa (1,91m/ 28 anos), Luís Ferreira (1,88m/ 32 anos), Joaquim Oliveira (1,84m/ 20 anos), Alex Kravtsov (1,93m/ 24 anos), Carlos Gonçalves (1,84m/ 20 anos),

Extremo/ Poste: Márcio Morais (2,03m/ 27 anos), João Diamantino (2,05m/ 25 anos), João Costa (1,97m/ 20 anos), Hugo Gomes (1,99m/ 22 anos)

Treinador: Rui Silva

Guia Proliga 2012: Gaeirense / Oralmed

A grande surpresa da CNB1 o ano passado, a equipa do concelho de Óbidos chega à Proliga com muita ambição, mas sentirá um forte embate com a realidade. Para começar, deixa de jogar no seu pavilhão para se apresentar no Municipal de Óbidos. Será muito importante perceber como é que os jogadores principais da equipa se vão dar numa competição bem mais exigente. Pedro Rochete poderá continuar a liderar a equipa mas talvez tenha problemas para defender bases mais rápidos. Filipe Canha tem nível para dominar na luta das tabelas e contará com a ajuda de Hugo Aurélio, um dos reforços. Tomás Emídio regressa à Proliga, onde já jogou com a camisola da Física. Sendo um jogador que evoluiu bastante, Emídio terá um bom teste às suas capacidades, sendo um titular indiscutível na sua equipa. No entanto, a grande figura do Gaeirense será certamente o norte-americano Michael Cassio. Um lançador incansável, Cassio é um jogador que tem vindo a trabalhar para se apresentar a este nível. Mesmo que a equipa tenha dificuldades para se manter, será de esperar bons números deste jogador.

Plantel

Bases: Miguel Ribeiro, Michael Cassio (21 anos)

Bases/Extremos: Pedro Rochete (1,88m/31 anos), Eduardo Lucas

Extremos: Tomé Francisco, Fernando Clérigo, Amadeu Cordeiro (1,92m/ 32 anos), Diogo Dias, João Gonçalves

Extremos/Postes: Luís Sousa, João Luís, Tomás Emídio (1,95m/ 26 anos), Paulo Coincas, Tiago Bulhões

Postes: Filipe Canha (2,02m/ 31 anos), Otávio Gomes, Hugo Aurélio (31 anos)

Treinador: Nuno Agostinho

Guia Proliga 2012: UD Oliveirense

Um dos regressos mais esperados à Proliga, a Oliveirense apresenta-se como candidata a não demorar-se muito mais até subir à LPB. No entanto, a concorrência é muito forte e a equipa poderá sentir alguns problemas quando chegar  a fase decisiva. Até lá, o forte da equipa de Oliveira de Azeméis será o jogo interior, onde Spencer Johnson, Nélson Costa, JK Willis e André Pereira competirão por minutos. Algum deles terá menos tempo para jogar do que estará à espera neste momento. No jogo exterior, João Abreu terá a responsabilidade de liderar uma equipa que poderá ter em Renato Azevedo a grande revelação. Será de esperar que a Oliveirense entre para ganhar em todos os jogos e o espectáculo estará garantido. Se conseguirá ser dominante nos momentos de decisão é a pergunta que fica no ar.

Plantel

Base: João Abreu (1,80m/ 28 anos), Marco Pinto (1,78m/ 24 anos), João Barbosa (1,72m/ 18 anos)

Extremo: Paulo Santos (1,93m/ 32 anos), Renato Azevedo (1,87m/ 20 anos), Rui França (1,83m/ 22 anos), Humberto Oliveira (1,88m/ 22 anos)

Extremo/ Poste: Spencer Johnson (1,98m/ 23 anos), Nélson Costa (1,98m/ 27 anos), Tiago Marques (1,90/ 21 anos), JK Willis (2,02m/ 25 anos), André Pereira (2,02m/ 21 anos), Carlos Resende (1,90/ 24 anos)

Treinador: João Costeira

Guia Proliga 2012: Algés

Depois de um início de época muito fraco no ano passado, o Algés convenceu durante a segunda metade da temporada, ainda que tenha ficado de fora do play-off. Este ano vive uma história diferente. Conseguindo manter o seu principal jogador do ano passado, Sérgio Correia, o Algés foi pescar na LPB, Danilson Vieira, resgatou um dos melhores jogadores da Proliga, António Pires e junta-lhe o regresso à competição de João Manuel.  Adicionando ainda um poste norte-americano,  a equipa dos arredores de Lisboa só pode ter um objectivo nesta temporada. Subir de divisão.

Plantel
Bases: Antonio Pires (25 anos/ 1,80m), José Torres (21 anos/ 1.75m), Fidel Mendonça(27 anos/ 1.85m), Ricardo Ferreira (27 anos/ 1.82 m), César Lopes (20 anos/1.80 m), João Manuel (32 anos/ 1.82M)

Extremo: João Luis (20 anos/1.85m), Danilson Vieira (26 anos/ 1.95m), Sergio Santos (21 anos/1.90 m), António Paulo (19 anos/ 1.92 m)

Extremo/Poste: Valdemar Costa (17 anos/ 2.02m), Desean White (26 anos/ 2.05m), Sérgio Correia (25 anos/ 1.95m), Vicente Rodrigues (25 anos/ 2.00m)

Treinador: Mário Silva

Guia Proliga 2012: Guifões

A equipa do Guifões conseguiu a merecida manutenção e, neste segundo ano na Proliga, tentará chegar aos play-offs. Os bons resultados conseguidos no Troféu António Pratas deixam adivinhar essa possibilidade. A saída de relevo em relação ao ano passado foi João David (para o Illiabum), que se espera possa ser compensada com as chegadas de André Moreira e José Almeida. Miguel Faria voltará a ter um papel importante na forma de jogar deste conjunto e da sua inspiração poderão sair algumas vitórias importantes. No jogo interior, Odair Conceição vai ter que conseguir contribuir com mais alguns pontos, para que a equipa se mostre competitiva numa liga que se prevê mais exigente.

Plantel

Bases: Daniel Correia (1,74m/27 anos) Pedro Silva (1,78m/ 27 anos), Vítor Félix (1,90m/ 20 anos)

Bases-Extremos: Carlos Von Hafe (1,85m/ 19 anos), Miguel Faria (1,87m/ 31 anos),  Ricardo Faria ()

Extremos: André Moreira (1,91m/ 29 anos), João Gaspar (1,96m/ 22 anos), Pedro Meira (),  Ricardo Alpuim (1,89m/ 23 anos)

Extremos-Postes: André Libânio (1,94m/ 25 anos), Fernado Ramos (),  José Almeida (1,99m/ 25 anos)

Postes: Pedro Morais (),  Odair Conceição (1,97m/ 27 anos)

Treinador: Rui Gomes

Guia Proliga 2012: Eléctrico

Uma das equipas difíceis de enfrentar, o conjunto de Ponte de Sôr perdeu Denis Neves, Edson Ferreira e Jorge Afonso mas conseguiu recuperar Tiago Pinto e juntar o experiente Mário Jorge ao seu plantel, sendo que poucas diferenças se deverão notar entre o valor conjunto da equipa em relação ao ano passado. Tiago Pinto, depois de um ano em Coimbra, deverá regressar ainda com um ritmo maior e contará com a experiência adquirida numa liga superior. Aylton Medeiros também poderá ser uma figura muito importante num conjunto onde falta peso e altura para enfrentar as equipas de topo. Ainda assim, o Eléctrico poderá conseguir um lugar no play-off e dificultar a vida a quem lhe aparecer pela frente.
Plantel
Base: Tiago Pinto (1,83m/ 23 anos), Filipe Delgado (1,81m/ 20 anos), Tiago Brito (1,80m/ 26 anos), Francisco Pinto (1,85m/ 24 anos)
Extremo: Mário Jorge (1,90m/ 34 anos), João Lanzinha (1,88m/ 22 anos), Paulo Raminhos (1,88m/ 22 anos)
Extremo/ Poste: Pedro Afonso (1,98m/ 28 anos), Aylton Medeiros (1,94m/ 23 anos)

Treinador: Andry Melnychuk

Guia Proliga 2012: CD Póvoa / Vierominho

Uma época de renovação para o CD Póvoa, depois de ver sair o seu cinco inicial. Assim, para o treinador Pedro Dias, o desafio de começar do zero torna difícil uma previsão desta temporada. João Neto poderá assumir o papel de base da equipa, dependendo da forma com que Vladimir Teixeira se apresentar. Fábio Fernandes e, sobretudo, Kevin Jolley, terão que carregar com a equipa às costas, já que de todos os jogadores que se mantêm no plantel, todos eles terão a exigência de jogar muito mais do que o faziam anteriormente. A passagem pelo Troféu António Pratas não foi famosa, mas com Jolley a ter tempo para se ambientar à nova equipa, poderá começar a apresentar melhores resultados. Ainda assim, o Póvoa terá que se esforçar muito para entrar no play-off.


Plantel

Base: João Neto (1,80m/ 23 anos), Rafael Martins (1,75m/ 19 anos), David Sá (1,85m/ 19 anos), Vladimir Teixeira (1,82m/ 26 anos), Rui Costa (1,80m/ 24 anos), Sérgio Esteves (1,80m/ 19 anos), Edgar Gonçalves (1,78m/ 17 anos)

Extremo: Fábio Fernandes (2,00m/ 25 anos), Cristiano Silva (1,90m/ 22 anos), Luís Xavier (1,85m/ 18 anos), José Costa (1,90m/ 21 anos),  André Mourato (1,85m/ 16 anos)

Extremo/ Poste: João Pinto (1,90m/ 18 anos), Luís Pires (1,93m/ 23 anos), António Gomes (1,90m/ 32 anos), Ricardo Moreira (1,93m/ 21 anos), Kevin Jolley (1,97m/ 29 anos)

Treinador: Pedro Dias

Guia Proliga 2012: Aliança Sangalhos

O Sangalhos repete a fórmula que lhe valeu um campeonato sossegado na época passada e uma entrada em 5º lugar no play-off. Se, no papel, é difícil encontrar argumentos para sentir que o Sangalhos poderá estar na primeira metade da Proliga, na prática, Francisco Gradeço tira tudo dos seus jogadores que, sem se evidenciarem individualmente, são uma equipa muito complicada de bater, sobretudo no seu terreno. Emanuel Silva e Nuno Bizarro continuarão a ser os dois jogadores mais perigosos da equipa da Bairrada e sairão das suas mãos uma boa parte dos pontos da equipa. Com muita agressividade defensiva, o Sangalhos será, com certeza, uma das presenças no play-off da competição.

Plantel

Base: Ricardo Marques (1,73m/ 17 anos), Jorge Seabra (1,72m/ 30 anos), André Marques (1,86m/ 22 anos), André Duarte (1,75/ 30 anos), João Carmo (1,86m/ 26 anos),


Extremo: Emanuel Silva (1,90m/ 31 anos), Januário Ferreira (1,80m/ 31 anos),

Extremo/ Poste: Nuno Bizarro (1,93m/ 31 anos), Rafael Nogueira (1,86m/ 22 anos), Jorge Anjos (1,85m/ 30 anos), Luís Fonte (1,95m/ 31 anos), Jorge Silvério (1,86m/ 21 anos)

Treinador: Francisco Gradeço

Guia Proliga 2012: Física de Torres Vedras

No ano passado, a Física ficou-se pelas meias-finais com uma equipa muito experiente e, este ano, não será muito diferente. Nuno Monteiro chega para dar algum conforto a um jogo exterior que sofreu com os altos e baixos de Salvador e Rodrigues, esperando-se que Josimar Cardoso possa estar acima do nível de Jason Underwood, um grande flop na equipa da Física do ano passado. O capitão Carlos Dias voltará a ter um papel muito importante nos momentos decisivos de uma equipa que terá também alguns jovens a ganhar minutos, como será o caso de Alexandre Catarino (neste momento, lesionado) e de Henrique Medina (uma das atracções para esta temporada será ver que números conseguirá na Proliga).

Plantel:

Base: Alexandre Catarino (1,79m/ 20 anos), Miguel Salvador (1,88m/ 29 anos), Ricardo Rodrigues (1,88m/ 29 anos), Nuno Monteiro (1,82m/ 25 anos), Ricardo Ferreira (1,80m/ 19 anos), David Benrós (1,81m/ 18 anos), Gonçalo Tavares (1,81m/ 17 anos)
               
Extremo: Braima Freire (1,82m/ 29 anos), Carlos Dias (2,00m/ 32 anos), Vadim Harbuz (1,93m/ 19 anos)
               
Extremo/Poste: Romero Júnior (2,00m/ 37 anos), Hernâni Medina (2,01m/18 anos), Marcelo Pires (1,93m/ 19 anos), Edson Rosário (1,93m/ 29 anos), Josimar Cardoso (2,02m/ 24 anos)

Treinador: Ivan Kostourkov

Guia Proliga 2012: Angrabasket / Vaquinha

A equipa açoriana apresenta-se para mais uma época na Proliga, mantendo alguns jogadores importantes na caminhada da época passada, como João Pereira e Terrence Mack, e trazendo um novo norte-americano para substituir Kevin Jolley. Drew Gibson é um jogador com experiência europeia e poderá trazer qualidade ao conjunto da Ilha Terceira. Ainda assim, parece complicado que a equipa do Angra consiga disputar os lugares de subida. Para isso, muita capacidade de superação seria necessária. Se conseguir manter um bom ritmo durante a primeira fase, a equipa garantirá um lugar no play-off. Parece, realmente, ser esse o máximo a que poderá aspirar. Mas, como se sabe, a época é longa e as surpresas aparecem.

Plantel

Base: Drew Gibson (1,88m/ 26 anos), Pedro Loth(1.84m/ 32 anos), Hugo Pola (1.80/ 20 anos), João Pereira (1.86, 28 anos)

Extremo: Miltom Moreira (1.79/ 22 anos),  Rui Almeida (1,95m/ 23 anos)

Extremo-Poste: Terrence Mack ( 1.97m/ 27 anos), Flávio Gomes (1.94m/ 22 anos)

 E ainda: Guilherme Ornelas, Rodrigo Laranjo, Hugo Medeiros,Marcelo Cardoso, Diogo Duarte, João Pedro Ávila.

Treinador: João Ávila

Guia Proliga 2012: Galitos / Tley

A equipa do Barreiro teve uma grande desilusão nos play-off do ano passado e este ano voltam à luta com um plantel forte e equilibrado e com tudo para atingir altos objectivos. Apesar da saída de António Pires, um dos jogadores mais decisivos do conjunto do Galitos, os inúmeros reforços fazem esperar o melhor. Entre os mais experientes, chegam Denis Neves e Tiago Magalhães, dois dos melhores ressaltadores da Proliga no ano passado. Depois, chega muita juventude, quase toda “made in Barreiro”, para completar a rotação. Eugénio Silva, Carlos Sicó, Filipe Pinheiro e André Clérigo serão jogadores importantes e espera-se que estejam à altura do desafio de estar na linha da frente. O Galitos tem equipa para estar logo a seguir aos dois conjuntos mais fortes, esperando surpreender no momento final. Ou seja, onde falharam o ano passado, esperam ter aprendido o suficiente para ganhar este ano.

Plantel

Base: Sérgio Marques (1,80m/ 23 anos), Eugénio Silva (1,90m/ 21 anos), Gonçalo Chucha (1,86m/ 24 anos), André Palma (1,83m/ 22 anos), Mauro Marques (1,84m/ 22 anos)

Extremo: Rui Quintino (1,96m/ 28 anos), Carlos Sicó (1,92m/ 20 anos), Filipe Pinheiro (1,90m/ 21 anos), António Carrilho (1,98m/ 28 anos), Fernando Lopes (1,86m/ 26 anos),

Extremo/Poste:  Denis Neves (1,97m/ 32 anos), Tiago Magalhães (1,92m/ 35 anos), André Clérigo (2,00m/ 21 anos), Hélio Pascoal (1,05m/ 22 anos), José Ferreira (1,98m/ 33 anos)

Treinador: Francisco Edgard

Guia Proliga 2012: Illiabum

O Illiabum desceu de divisão mas não desceu o grau de exigência no momento de constituir o plantel. A equipa de Ílhavo apresenta um cinco inicial ao nível da LPB e isso valer-lhe-á muitas vitórias durante a temporada. Apresentaram-se em força já no início do ano com a vitória no Troféu António Pratas e Alexandre Pires esperará que a equipa evolua para mostrar ainda mais atributos ao longo da temporada. Curiosidade para ver como regressa João Figueiredo ao activo, perceber o impacto que Daniel Félix poderá ter na Proliga e também o nível de pontos e ressaltos com  que a dupla de norte-americanos contribuirá. Será de esperar ver o Illiabum num dos lugares de promoção à LPB.

Plantel

Base: Tiago Teiga (1,82), António Gonçalves (1,81/ ), Daniel Félix (1,84/ 29 anos),  Bernardo Pires (1,83), Pedro Morgado (1,82/ 25 anos),  João Figueiredo (1,84/ 32 anos), Ruben Cotton (1,74)

Extremo: Pedro Azevedo (1,94/ 30 anos),  João David (1,95/ )

Extremo/ Poste: Dain Swetalla (2,07/ 25 anos), Kadiri Richard (2,02/ 31 anos), Moacir Mota (1,98/ 29 anos), João Carvalho (1,95/ 26 anos)

Treinador: Alexandre Pires

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Euroliga: os grupos

Começa esta semana a competição maior do basquetebol europeu e todas as emoções da Euroleague poderão ser vividas na Dhoze. Divididos em quatro grupos estão os melhores conjuntos e os melhores jogadores do continente (aos quais juntamos, para já, alguns dos melhores do mundo).

No Grupo A, grande motivo de interesse será o dérbi entre o Bizkaya Bilbao e o Caja Laboral. Ambas as equipas apresentam fortes argumentos na Liga ACB, já que enquanto os de Bilbao se reforçaram com Roger Grimau e D’or Fischer, muita experiência, a equipa de Vitória tem na dupla Prigioni & Seraphin boas razões para acreditar num regresso à ribalta. No entanto, neste grupo, estão dois dos colossos europeus. O Olimpiakos poderá sentir, de alguma forma, a crise, mas apresenta como principal atrativo Matt Howard, chegado de um fantástica carreira universitária em Butler. Já o Fenerbahce contratou Bogdan Bogdanovic e terá Thabo Sefalosha enquanto o lockout durar. Estas quatro equipas parecem garantir os lugares que dão direito ao apuramento, mas nunca será bom desprezar uma equipa como o Bennet Cantú, uma equipa experiente e muito bem construída.

O Grupo B começou ontem com uma vitória do CSKA Moscovo na Lituânia, frente ao Zalgiris, com os russos a anunciarem que nada será como na época passada. Juntar Teodosic, Sammy Mejía, Nenad Krstic e Kirilenko dá à equipa moscovita argumentos inigualáveis. Quem vai tentar disputar-lhes o primeiro lugar é o Panathinaikos. Os atuais campeões apresentam uma equipa ligeiramente modificada, onde Diamantidis continuará a ter a grande influência da época passada, agora apoiado pelos irmãos Calathes, com Pat a juntar-se a Nick na equipa da capital grega. O Unicaja Málaga apostará numa primeira fase calma, mas será necessário ter em conta os campeões lituanos, para além do Brose Baskets da Alemanha, equipa que na época passada mostrou qualidades para ambicionar um lugar numa fase mais adiantada.

O Grupo C será, com certeza, o grupo de todas as incertezas. Simplesmente, é impossível decidir que é o mais favorito e quem são as equipas que poderão apurar-se. O Real Madrid parece estar no caminho de formar uma equipa forte. Com um conjunto com muita juventude, a presença de Rudy Fernandez traz experiência e capacidade de decisão ao cinco treinado por Pablo Laso. O Maccabi vem de uma grande época e, apesar dos sobressaltos da pré-temporada, ter Jordan Farmar e Schortsanitis poderá valer-lhes uma boa caminhada na Euroliga deste ano. Mas neste grupo encontramos ainda o Partizan Belgrado, com Nikola Pekovic,  o Anadolu Efes, com Sasha Vujacic e Ersan Ilyasova, o EA7 Milão, treinado por Scariolo e com Danilo Galinari, Ioannis Bouroussis e Omar Cook, para além do Belgacom Spirou, uma das boas surpresas da Euroliga transata. Quem tiver alguma certeza sobre o desfecho deste grupo, por favor, ponha o braço no ar.

Finalmente o Grupo D, onde o Barcelona entra com sede de vingança, depois de ter ficado de fora da Final Four realizada na sua cidade. A equipa de Juan Carlos Navarro parece ainda mais forte do que o ano passado  e uma vitória europeia é agora  a exigência principal feita a este grupo. O Montepaschi Siena, que volta a ter Bo McCalleb em grande forma, acrescenta ao seu conjunto o australiano David Anderson, querendo, no mínimo, repetir o brilharete do ano passado. O Galatasaray poderá ter um papel importante neste grupo. Jaka Lakovic lidera a equipa turca e tem todas as condições para garantir o apuramento para a próxima fase, sobretudo num ano em que Unics Kazan (vencedor da Eurocup 2011) e Olimpia Ljubljana perderam as suas principais referências. A equipa que fecha o grupo, o Asseco Prokom, tentará ganhar algumas partidas, mas parece arredado de quaisquer objetivos nesta competição.

Jogue e viva a Euroliga na Dhoze, com jogos ao vivo em todas as jornadas.

domingo, 16 de outubro de 2011

A pecadora mão de Jesús


Era uma vez um rapaz, Jesús Cravero, a quem todos destinavam um grande futuro como futebolista. Jesús nasceu em Gerli, nos arredores de Buenos Aires, em 1966, filho de um negociante de sabão e velas, indústrias que por ali haviam instalado as suas fábricas. Jesús dividia o seu tempo entre a escola, à qual não podia faltar nunca, dado o seu pai ver na escola a garantia do futuro dos filhos, e as ruas onde jogava futebol com os seus amigos. Como nunca chumbara em nenhum ano, conseguiu ganhar autorização parental para ir treinar no Clube Atlético Lanús, uma das famosas escolas de talentos argentinos no jogo da bola no pé.
Jesús começou a sobressair logo nos primeiros treinos e isso garantiu a sua entrada na equipa. Apesar de um pouco franzino, Jesús tratava a bola como ninguém, executando fabulosos passes a qualquer distância, com a capacidade de fazer chegar a bola direitinha aos pés dos colegas. O entusiasmo crescia à volta deste pequeno talento e todos esperavam que o seu crescimento acompanhasse o regresso do Lanús à Primeira Divisão Argentina, depois de alguns anos pelas divisões secundárias. Jesús começou também a ser chamado às selecções juvenis, causando algum impacto nos torneios sul-americanos.
A carreira de Jesús iria, no entanto, ser bem mais difícil do que aquilo que ele poderia imaginar. Depois do seu último ano de júnior no Lanús, passou uma época inteira a treinar com a equipa de reservas, dado que o treinador dos seniores esperava que ele ganhasse mais massa muscular, antes de o lançar às feras. A sua carreira escolar, que já não era famosa com as constantes viagens, jogos e treinos, passava agora uma fase negra, dado o desânimo e o cansaço físico que tal programa causava em Jesús. A decisão do pai Cravero não se fez esperar: acabava-se a ideia do futebol profissional para ocupar o tempo a estudar para os exames de acesso à universidade.
Jesús aceitou a decisão do pai, ainda que inconformado com a ideia de não vir a ser profissional de futebol. E a verdade é que conseguiu fazer todos os exames e aceder à Universidade no início de 1986. Em casa, o ambiente era agora de reconciliação, tanto que, convidado pelo director da equipa local, o El Porvenir de Gerli, Jesús voltou aos campos para disputar o Torneio de Abertura de Reservas da Primeira B da Argentina. A equipa alvi-negra não tinha grande história, mas o seu estádio situava-se no mesmo bairro onde vivia a família Cravero, sendo que a proximidade de casa era uma das razões que fazia com que todos, inclusive o seu pai, acompanhassem com fervor as partidas de Jesús.
Mais uma vez Jesús entusiasmava os adeptos, ainda que disputasse um campeonato de nível inferior. Tentando sempre escapar às entradas maldosas dos adversários, Jesús não deixava de ser o craque da equipa, com os seus passes, as suas fintas, os seus remates de fora da área. O seu ar franzino enganou adversários por pouco tempo, pois logo se espalhou a palavra de que o rapazinho de Lanús andava agora por aqueles lados.  A época começou no início de Fevereiro e durante a primeira fase, o El Porvenir só perdeu um jogo. Dos 31 golos marcados pela equipa, dez foram da autoria de Jesús, que era assim o melhor marcador da equipa. Todos acreditavam, nesse momento, que o El Porvenir ia conseguir ganhar o título.
1986 foi um grande ano para o futebol argentino. No México, enquanto Jesús Cravero disputava o Torneio de Abertura, a Selecção Nacional mostrava-se ao mundo liderada por Diego Armando Maradona. A euforia saía à rua sempre que a Argentina disputava uma partida, sendo que todos assistiam, colados aos televisores, às façanhas protagonizadas pelo pequeno génio. Jesús Cravero imaginava-se assim, um dia, a voltar a vestir a camisola alvi-celeste num Mundial, a ser idolatrado por todos, capaz de percorrer relvados inteiros, levar a sua equipa às costas, quem sabe ser campeão e levantar a taça na tribuna de um estádio.
No dia 22 de Junho de 1986, Maradona protagonizou um dos lances mais polémicos da história do futebol. No início da segunda parte do jogo frente a Inglaterra, Maradona correu entre os defesas ingleses, a bola ressaltou para em direcção a Valdano, mas foi interceptada por um defesa que a pontapeou para o ar. Aí o tempo parou. Maradona e Peter Shilton saltaram juntos para alcançar o esférico e, no momento seguinte, era golo da Argentina. Jesús ficou siderado com aquele golpe de génio, que o próprio Maradona chamou de “mão de Deus”. Nesse dia, os festejos em Gerli foram mais comedidos porque uma outra importante data estava agora mais perto do que nunca.
 O Torneio de Abertura de Reservas da Primera B decidia-se numa final a duas mãos, entre os vencedores das respectivas séries. No dia 26 de Junho, o El Porvenir deslocou-se ao campo do Desportivo Italiano, para disputar a primeira mão. Com o resultado empatado a zero, cumpria-se o trigésimo minuto da partida quando, ressaltando a bola num defesa da equipa da casa, Jesús Cravero saltou com o guardião adversário e, ajeitando a bola com a ponta dos dedos, marcou o primeiro golo da sua equipa. Jesús correu pela linha de fundo gritando “é a mão de Jesús, é a mão de Jesús”, mas, nas suas costas, o bandeirinha dava sinal de anular o golo. “Chega-nos acreditar na mão de Deus” – disse-lhe o árbitro ao mostrar-lhe o cartão amarelo.
Durante o resto da partida, Jesús foi assobiado a cada vez que tocava na bola. Saiu de campo cabisbaixo, não querendo sequer festejar a vitória da sua equipa, que viria a conquistar o título. Jesús sabia já o que o esperava. Percebera que ao intervalo o seu pai tinha abandonado o estádio, incapaz de assistir à vergonha de ver o seu filho ser tratado como um criminoso. No fundo, ele apenas tentara homenagear o génio, mas tal audácia não lhe havia sido perdoada. O seu pai não lhe falou durante uma semana inteira. Durante essa semana, Jesús Cravero apresentou-se no treino da sua equipa apenas para avisar de que abandonaria o futebol para sempre. 

Torreense, 1 - Gil Vicente, 0 (resumo)



O Torreense (2ª B) eliminou o Gil Vicente (1ª Liga) em jogo a contar para a Taça de Portugal. O golo da equipa de Torres Vedras foi marcado por Ricardinho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Guia LPB 2012


Começa esta semana a LPB 2011-12 e o blogue Gazeta dos Desportos apresenta o seu guia, com textos de análise a cada uma das 12 equipas presentes na competição.

Siga o Guia através deste link ou vá directamente para a sua equipa preferida:

FC Porto Ferpinta
SL Benfica
Académica de Coimbra
Vitória de Guimarães
Casino Ginásio
Ovarense Dolce Vita
CAB Madeira
Sampaense
Lusitânia Expert
Barreirense Cepsa
Terceira Basket Susiarte
Barcelos Hotel Terço

Guia LPB 2012: Barcelos Hotel Terço


Mais uma estreia na LPB. A equipa do Barcelos dominou a fase regular da Proliga e, mesmo não conseguindo o desejado título, apresenta-se este ano na competição maior do basquetebol português. Do plantel do ano passado, apenas se regista a saída do atirador Nuno Pedroso, que foi jogar em Inglaterra. Todos os outros jogadores se mantém, e será de esperar o que poderão fazer na LPB jogadores como Carlos Fechas, Tiago Barreiro e Pedro Silva. Todos eles têm experiência neste nível, mas por uma razão ou por outra, acabaram por cair para a Proliga. Regressar com posições de responsabilidade na equipa, será um teste a ultrapassar.

Atenção também para João Moreira. Um extremo-poste com muita experiência de Proliga tem o seu primeiro desafio na LPB. Terá que tornar o seu jogo bem mais agressivo para conseguir enfrentar os gigantes do basquetebol português. Entre as contratações, um dos nomes de quem mais se aguarda nesta temporada. Nuno Oliveira, um base chegado do CD Póvoa, maravilhou durante dois anos na Proliga e, com 22 anos, chega finalmente ao palco maior. Se confirmar o bom que mostrou anteriormente, não só temos base para equipa mais ambiciosa, como poderá almejar uma presença na seleção. Mas a adaptação decidirá.

Finalmente, destaque para Sergi Coll, que chega do Ferroll para ser o jogador 5 do Barcelos. Coll mostrou-se a muito bom nível no Troféu António Pratas e aumentou as expectativas para o que poderá fazer na época regular. Será difícil esperar que o Barcelos possa conseguir mais do que a manutenção. Mas se todos os seus jogadores se adaptarem ao nível competitivo da LPB, talvez consigam uma surpresa.


Guia LPB 2012: Terceira Basket Susiarte


Os surpreendentes campeões da Proliga, na época passada, chegam à LPB em alta e com todas as condições para se confirmarem como uma equipa de topo no basquetebol português. Os dirigentes do Terceira Basket optaram por manter os principais jogadores que conseguiram o título e acrescentar mais dois reforços norte-americanos.

Da equipa do ano passado, destacam-se Nate Bowie, que jogou em Espanha, no Cambados, um fortíssimo lançador e que terá, esta época, mais responsabilidades na condução da bola. Durrell Nevels cotou-se como um dos melhores ressaltadores da Proliga e agora poderá fazê-lo ao mais alto nível.  Dos jogadores portugueses, Diogo Gonçalves e Frederico Tavares são dois jovens extremos que acrescentam muita consistência à equipa.

Entre os reforços, Tony Murphy regressa a Portugal, onde já tinha passado pelo Angrabasket (Proliga). É um fabuloso atirador e fará, com Bowie, uma dupla temível para lá da linha dos três pontos. Jonas Pierre é um poste com uma envergadura física impressionante, mas algo macio dado ter feito toda a sua carreira no Canadá. Ainda assim, poderá acrescentar altura e peso debaixo da tabela, conquistando vantagem nos duelos com os postes adversários.

O Terceira Basket é uma equipa montada com racionalidade e com objectivos claros. O treinador Rui Fonseca, depois do excelente trabalho realizado na segunda metade da época passada, tem uma oportunidade de ouro para fazer história no clube açoriano. 

Guia LPB 2012: Barreirense Cepsa


Aproveitando a desistência do CB Penafiel, o Barreirense conseguiu manter-se na LPB e, desta vez, parece concentrado na ideia de alcançar bons resultados. De facto, a aposta dos últimos anos em jogadores muito jovens tem os seus custos, ainda que este ano assiste-se à entrada de um jogador que poderá ser decisivo para uma boa carreira. António Tavares, depois de anos no Benfica e de uma excelente presença no último Eurobasket, regressa a casa para ser a estrela da equipa. Sendo um lançador nato, Tavares terá a responsabilidade de liderar o grupo e marcar muitos pontos. Se tudo correr como o esperado, poderá ser ele o bilhete para chegar aos play-off esta temporada.

Com um novo treinador vindo da LEB Prata, António Herrera, o Barreirense contratou ainda dois norte-americanos. David Jackson formou-se em Penn State e tem no currículo um título do NIT. Já Deantre Jefferson chega de Chattanooga e poderá ter impacto no jogo interior da equipa.

O resto do plantel é composto por jovens.  Se José Silva e Pedro Pinto já mostraram o seu valor na Seleção principal, muito se esperará do que poderão fazer jogadores como Miguel Queiroz, Manuel Sicó e João Álvaro. Será essencial que estes jovens se mostrem com nível para enfrentar os adversários da LPB, já que a equipa precisará de profundidade para atingir os objectivos.

Guia LPB 2012: Lusitânia Expert


Depois de assegurada a manutenção na época passada, a equipa açoriana chegou a ter a sua presença em dúvida, na actual LPB, devido a questões fiscais. Mas, com os problemas aparentemente resolvidos, o Lusitânia regressa à competição com vontade de chegar aos play-off.  Mantendo três dos seus titulares, Monteiro, Hundley e Camara, a equipa vê Marcel Momplaisir regressar depois de lesão e soube-se reforçar em posições essenciais.

Augusto Sobrinho chega de Guimarães para disputar o lugar de base com Daniel Monteiro. A equipa dos açores fica assim com duas excelentes opções, deixando de depender em excesso de Monteiro.  As duas outras contratações estão ainda em processo de adaptação. Ainda assim, Brian Mills, um rookie chegado de Mercer, já deu sinais de ser um lutador nas tabelas e capaz de somar pontos. Renato Lindmets regressa a Portugal depois de passagens pela Estónia e Islândia. O seu papel deverá ser mais defensivo, ainda que Lindmets seja um jogador bastante rápido e bom penetrador.

Com um plantel bastante completo, o treinador Nuno Barroso deverá trabalhar ainda a componente psicológica do Lusitânia, algo que poderá colocar em causa o nível de jogo apresentado. Se todos os jogadores estiverem confiantes e concentrados nos objectivos, então os açorianos não serão fáceis de bater.

Guia LPB 2012: Sampaense


Em São Paio de Gramaços reside a maior incógnita da LPB desta temporada. Numa equipa que sofreu uma profunda transformação, será preciso esperar para ver o que vale enquanto conjunto, tanto que durante o Troféu António Pratas apenas fez uma partida, frente à Ovarense.  A ideia que ficou dessa partida não foge ao que se imaginaria no papel. João Reveles, chegado do Casino Ginásio, assumo com Jorge Sing as despesas da liderança da equipa. Depois, esperar que os dois norte-americanos do plantel façam boa figura, o que até é normal acontecer no Sampaense.

As contratações deste ano são Will Pratt, um extremo que chega de Northwestern State, e Brian Addison, um extremo-poste que se formou em Buffalo. Finalmente, Tyronne McNeal vem trazer altura na posição de poste. Com experiência no Canadá e na Costa Rica, McNeal poderá ser uma boa surpresa nesta sua estreia na Europa. De assinalar ainda as contratações de João Balseiro (Illiabum) e Eki Viana (Benfica). Dois jogadores habituados a sair do banco para ajudarem as suas equipas, poderão ser muito importantes com o seu profundo conhecimento da LPB.

Todos estes elementos misturados, tanto poderemos contar com um Sampaense sólido na posição do play-off, como vê-lo escorregar para a luta pela manutenção. Um caso a seguir.

Guia LPB 2012: CAB Madeira


A equipa madeirense salvou a passada temporada com a vitória na Taça de Portugal, já que na LPB, o oitavo lugar na fase regular esteve muito além do esperado. Na verdade, a equipa foi afectada por lesões dos seus principais jogadores, e isso ajuda explicar parte do problema. Este ano, com uma capacidade orçamental menor, João Freitas esperará não ter que enfrentar lesões, ou poderá arriscar-se mesmo a ficar fora da corrida na parte final da temporada.

Com as saídas de Gentry e Menefee, os dois principais jogadores da equipa, João Freitas espera ter Mário Fernandes e Jorge Coelho em condições durante todo o ano. Jaime Silva é outro dos jogadores de quem se esperará uma forte contribuição, ficando ainda incerto o papel de Fábio Lima, que ficou fora da Seleção Portuguesa por lesão e ainda não estará totalmente recuperado.

A equipa contratou ainda três norte-americanos. Austin Kenon (Virginia MI) e Barry Shetzer (West Liberty) são dois rookies que tentarão organizar o jogo e encontrar opções de lançamento. Já Jarvis Gunter vem da D-League para fazer dupla com Shawn Jackson na luta das tabelas. Do que conseguir esta dupla dependerá, em boa parte, o sucesso do CAB Madeira. Uma temporada difícil, é o que se espera.

Guia LPB 2012: Ovarense Dolce Vita


Em Ovar só há um objectivo: esquecer a época passada, onde nunca se viu uma equipa com condições para lutar pelos lugares cimeiros e mesmo o play-off só foi conquistado na última jornada da fase regular. A opção passou por contratar seguro. Austen Powers, um extremo com uma capacidade de tiro acima da média, que já passou pela LPB (com a camisola da Física de Torres) antes de passagens pelo Uruguai e pela China, será a figura da equipa.

Os outros estrangeiros serão Christopher Lee, que regressa à Ovarense depois de uma passagem pelo Irún Navarra (LEB Ouro) e James Crowder, que chega da Irlanda. De Penafiel chega ainda Mário Gonçalves, um jogador com uma estampa física impressionante e que será uma boa ajuda a sair do banco.  Por Ovar continuam alguns jogadores muito experientes, como é o caso de Nuno Manarte, André Pinto, Fernando Neves e Nuno Cortez (ainda a recuperar de lesão).  Alguns jovens, como José Barbosa, Pedro Costa ou Cristóvão Cordeiro, completam um plantel que poderá devolver a Ovarense ao 3º lugar da LPB.

Mário Leite é o treinador desta equipa. Já faz parte da história da equipa, seja como jogador, assistente ou treinador principal. Poder contar com um plantel de qualidade, é um prémio que a Direcção do clube lhe oferece. Uma responsabilidade que ele saberá como manejar. 

Guia LPB 2012: Casino Ginásio


Uma das grandes vítimas da crise financeira que afecta o basquetebol português, o Casino Ginásio prepara-se para enfrentar o início da LPB sem qualquer norte-americano no seu plantel. Uma profunda revolução no seu plantel leva ainda a que o único jogador com minutos relevantes na última época e que continua a vestir a camisola do Ginásio é Pedro Silva, um poste experiente, mas que não fará a diferença.

Um dos mais beneficiados com esta mudança será Pedro Rocha. Até aqui uma opção pouco utilizada, Rocha terá muito mais tempo e oportunidades de lançamento, podendo vir a revelar-se como um jogador importante na manobra da equipa de Sérgio Salvador. Entre os reforços, o nigeriano George Ehiagwina será aquele que poderá ter mais impacto. O jovem representava o Póvoa, na Proliga, onde se revelou um fantástico ressaltador. Terá dificuldades para se impor, dado ser pouco pesado, frente às principais equipas da LPB, mas poderá aproveitar para crescer esta temporada.

O Casino Ginásio acabará por sentir muitas dificuldades para se manter na LPB esta temporada. O sexto lugar do ano passado deveu-se muito a um grande início da temporada, mas nada no plantel deste ano promete algo parecido. Só Sérgio Salvador e o seu conhecimento desta Liga, poderão ajudar a salvar a equipa.

Guia LPB 2012: Vitória de Guimarães

Poucos mas bons. Este terá sido o princípio dos dirigentes de Guimarães na escolha dos seus reforços. Para começar, Julian Blanks. O base deixara o Vitória devido a lesão e regressa agora, dois anos depois, pronto para pegar na equipa. De Ovar chega John Waller. Com muita experiência na Liga Portuguesa, Waller é um marcador seguro, podendo adicionar números altos em cada jogo. Finalmente, Maris Gulbis. Na sua primeira experiência fora do Báltico, o possante jogador terá que provar que as boas exibições conseguidas na Eurochallenge terão reflexo nesta sua passagem pela LPB. Será essa a expectativa dos fãs vitorianos.

No capítulo das renovações, o Vitória manteve a aposta em Paulo Cunha, Cláudio Fonseca (que esteve no Eurobasket), Paulo Diamantino e André Bessa. Conjuntamente com os jogadores da casa, pode esperar-se uma boa competição da parte do Vitória de Guimarães, isto que conjunta muita experiência com a qualidade de jogadores em crescendo no panorama português.

Fernando Sá, o treinador, é também uma figura incontornável deste projecto. Um treinador muito emotivo, mas profundamente conhecedor das equipas e dos pavilhões adversários. Em muitos jogos, será também dele o contributo decisivo para vencer os jogos.